Tecendo Ideias

Morre ACM

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Tchau, ACM

E morreu ACM, a sigla mais famosa da política brasileira. Antônio Carlos Magalhães não resistiu a uma infecção generalizada, e faleceu na manhã de hoje. Uma das figuras mais polêmicas do cenário político nacional, ACM foi alvo de diversos escândalos, e chegou até a renunciar para evitar a perda dos direitos políticos. Homem de temperamento forte, sabia o que queria e como fazer para alcançar seus objetivos. Na época do ex-presidente FHC, diziam que ACM era imbatível (e o foi). Contra Lula, teceu os piores comentários já feitos a um adversário.

É inegável que ACM foi um dos responsáveis pelo crescimento da Bahia nas últimas décadas, mas o ‘carlismo’ passou a perder força desde a morte de seu filho, Luis Eduardo, e com o envolvimento em diversos escândalos. A pancada fatal foi a perda do governo da Bahia, que de seu pupilo tido como favorito, transferiu-se para as mãos do PT de Lula e Jacques Wagner. ACM foi uma figura questionável e muito criticada em vida, mas que agora, após sua morte, passa a ser considerada ‘impoluta’ e ‘indispensável ao desenvolvimento político nacional’.

Não desejo mal a ninguém, mas não acredito que o falecimento de ACM seja um fato a ser lamentado pelo Brasil. E entendo ser perigoso quando figuras de destaque no cenário político nacional lamentam profundamente esta perda, propagando a idéia de que ‘ACM foi essencial para o estabelecimento da democracia’ (segundo o presidenciável Aécio Neves). Um homem que foi alinhado com a ditadura militar, detentor do maior curral eleitoral que esse Brasil já viu, um verdadeiro coronel, não pode ser entendido nunca como um ‘baluarte da democracia’. Fico triste com os valores políticos e históricos de nossos representantes. [Quando digo coronel, refiro-me às figuras quase 'mitológicas' do sertão nordestino, que comandam as decisões políticas de muitos e mantém-se na base da força. Por favor, sem qualquer referência a cargos militares]

Deixo com vocês a opinião do radical Edílson Silva, presidente do PSOL em Pernambuco, a respeito de ACM. Um pensamento próximo daquilo que entendo.

O Senado Federal não perde nada com a ausência de ACM, pelo contrário, ganha.
A política institucional no Brasil deixa de contar com um homem público patriarca de uma
oligarquia anti-democrática e truculenta, dessas que envergonham a nossa sociedade.

O homem público Antônio Carlos Magalhães construiu sua história política pisoteando os pobres, aliando-se sempre com os poderosos, com as tiranias, como com os golpistas de 64. Fez fortuna a partir destas relações. Em sua vida pública, conseguimos ver uma virtude: a coerência com sua consciência de classe, sempre intransigente na defesa das elites que representava, e os métodos de coronel da política, sempre presentes no seu ‘modus operandi’ político.

Escrito por Evilasio Tenorio

20.07.2007 em 7:25 pm

Publicado em Política

Cúmulo do Ridículo

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Gestos Polêmicos
Imagem do Blog do Josias

Incompreensível a atitude do assessor de Lula, o sr. Marco Aurélio Garcia, ao acompanhar o noticiário da Globo de ontem à noite. Por achar que estar dentro do Palácio da Alvorada, bem acomodado em sua sala e à vontade, teria condições de ‘festejar’ a notícia de que o avião da TAM estava voando com um defeito grave sem que fosse avistado. Pisou na bola. Independente da invasão de privacidade por falta do cinegrafista, o que mais choca nesta situação foram os gestos de ‘alívio’ emitidos por Marco Aurélio e o o assessor de imprensa do Planalto, Bruno Gaspar.

O famoso gesto simbolizando a expressão ‘f**eu’ foi feito com enorme vontade por Marco. Já Bruno foi ainda mais incisivo, ao parcialmente dobrar os braços num ângulo de 90 graus, e assim fazer movimentos horizontais para frente e para trás (o conhecido ‘créu’, ou ‘f**emos eles’), que não se percebe na foto, mas se vê claramente no vídeo [se ainda não entendeu, lembre-se de um gesto muito usado por jogadores de vôlei quando fazem um ponto]. O que nos dá a entender é que eles sentem-se ‘aliviados’ pela chance de que o acidente não tenha acontecido ‘por vias governamentais’, e sim por um erro da própria empresa.

Triste ver que os integrantes do governo mais preocupam-se em se safar do que descobrir o que realmente aconteceu. Por mais que tentem explicar o flagra alegando que os gestos representam, segundo os próprios, “indignação frente a uma determinada versão que se quis passar à opinião pública atribuindo ao governo a responsabilidade por um acontecimento dramático”, a desculpa não cola, seria melhor ficar calado do que tentar remediar. Sinceramente, nunca vi ninguém fazer este tipo de gesto para ‘extravasar a indignação’. Indiferente de qual tenha sido o pensamento deles, o que aconteceu foi de um extremo mal gosto, e de uma tremenda falta de respeito às centenas de vítimas que perderam suas vidas neste trágico acidente.

Como os integrantes do governo vivem fazendo trapalhadas, conseguiram dar mais força aos grupos de oposição, que prometem julgar estes atos através do Conselho de Ética Pública (como se este valor existisse entre o meio político brasileiro…). Outros, mais ‘precoces’, querem até que o assessor seja demitido. Enquanto o governo vai tentando resolver mais esse abacaxi, o cidadão brasileiro vai pedindo a Deus proteção para poder viajar…

Ou quem sabe Lula e seus correligionários estejam fazendo estes gestos para nós, povo brasileiro, agora mesmo…

Escrito por Evilasio Tenorio

20.07.2007 em 4:09 pm

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Vôo 3054

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A irresponsabilidade do poder público está indo longe demais. A displicência com que o governo trata a questão do tráfego aéreo, e a pouca efetividade em suas ações causaram hoje o maior acidente aéreo da história do Brasil. 176 vidas foram brutalmente exterminadas (sem contar os que estavam dentro do prédio) devido a irresponsabilidade da Infraero de liberar uma pista de pouso e decolagem de aviões sem que todas as instalações de segurança estivessem prontas. Onde já se viu algo semelhante? Como se libera a pista de um dos mais movimentados aeroportos do país sem que se tenha a segurança adequada para sua utilização? De quem partiu a irresponsável autorização para o funcionamento, e mesmo depois de protestos, porque nada foi feito?

Não adianta discutir aqui quais os fatores que levaram a tal decisão. O governo não teve (e nem tem até hoje) pulso firme para lidar com todo o caos gerado pelo acidente da Gol no ano passado, não soube agir energicamente quando deveria. Há muito os aeroportos paulistas precisavam de uma reforma, mas é inaceitável que ela fosse feita sem que se pudesse terminar todos os requisitos de segurança necessários. Como autorizar a reforma se as tais ranhuras na pista, para evitar acúmulo de água e consequentes planagens de aviões, só poderiam ser feitas meses depois?

A vida de centenas de brasileiros foi desperdiçada em vão por um governo inerte, que mais parecia esperar que a opinião pública, tão acostumada com a bandalheira e sacanagem que afunda a capital federal num mar de lama, também se habituasse a esta rotina de longas filas e esperas em aeroportos, sabendo que vai viajar e sem saber se irá chegar. Governo safado, entranhado na corrupção, que reabre uma pista de pouso despreparada alegando ‘prejuízos a economia’, e esquecendo que as vidas perdidas hoje são muito mais importantes. Políticos imorais, que desviam verbas para pagamentos de contas particulares e muitas outras coisas que nem se sabe, e não aplicam o dinheiro público onde deve ser realmente usado. Políticos que perdem tempo e verbas públicas querendo incriminar os americanos pelo acidente da Gol e tentar tirar o c… do Brasil da reta, isentando o país de culpa e tentando passar a falta impressão de que o sistema aéreo é eficiente.

O grande desrespeito ao cidadão por parte da Infraero fica evidente quando observamos notícias de várias ‘derrapagens’ de aviões nesta mesma pista desde que foi reinaugurada. Inclusive ontem, 24 horas antes desta tragédia, um avião de pequeno porte derrapou e saiu da pista, indo parar no canteiro. Qual a medida de precaução tomada? Nenhuma, limpem o estrago e reabram a pista, em nome da ‘economia’.

Será que ninguém percebe que a infra-estrutura do Brasil está afundando? Enquanto o governo não põe em prática o tal PAC (e fica só na propaganda ineficaz), não temos aeroportos decentes e adequados, não temos ferrovias, o transporte marítimo de passageiros inexiste, o racionamento de água é uma constante em várias regiões, o risco de um apagão energético é iminente. A tragédia em Congonhas mostra como as coisas são ‘levadas com a barriga’ pelo governo. Quantas novas tragédias precisam acontecer para que este país tome uma atitude de uma nação séria, encare os problemas de frente e resolva mudar este quadro?

Depois de algo tão grave, aparece o presidente se dizendo ‘consternado’ e adiando a agenda do dia seguinte para observar a resolução do ocorrido. E as centenas de agendas que foram adiadas, para sempre, por conta da irresponsabilidade do poder público? Será que a palhaçada do jogo do empurra-empurra vai começar outra vez? Um órgão vai dizer que a culpa é da empresa que fez a reforma, a empresa vai dizer que a culpa é de Fulano, que aponta para Cicrano, que por sua vez indica o órgão público novamente. E nada se revolve! Há quase 11 meses outras centenas de vidas foram brutalmente interrompidas no acidente no MT, e até hoje os nossos ‘honrados’ congressistas perdem tempo discutindo se os transponders estavam ligados ou não. Será que discussões idiotas vão tirar o foco do que aconteceu hoje? Que este governo mostre, ao menos uma vez, que tem um pouco de dignidade, e resolva esta situação. Estes coitados pagaram com a vida para mostrar ao Brasil que nem tudo é ouro nessa terra-de-ninguém.

Perdõem-me pelo tom agressivo deste texto. Assim como qualquer brasileiro que acompanha e se preocupa com o que acontece, sinto-me revoltado com o que aconteceu hoje, que poderia ter sido evitado se nossos dirigentes tivessem mais hombridade e decência na hora de resolver os diversos problemas que nos aflige. Meu pensamento é semelhante ao do Cris Dias, que perfeitamente retratou a situação. Como um país que, nem pra construir pista de aeroporto com segurança tem capacidade, quer organizar Olimpíada e Copa do Mundo em seu território? Pelo amor de Deus, que este país de políticos indecentes tome vergonha na cara e puna os verdadeiros culpados pelo que aconteceu.

Que a perda destas vidas ensine este país a tratar as coisas com mais seriedade. Que seja um país sério (perdõem-me a redundância), antes que outras vidas inocentes sejam perdidas novamente graças à indecência de um governo medíocre e irresponsável. E que Deus abençõe todos aqueles que perderam suas vidas nesta tragédia, bem como suas respectivas famílias, que lamentarão eternamente que a ausência de um ente querido se dá por falta de atitudes públicas.

Escrito por Evilasio Tenorio

17.07.2007 em 11:27 pm

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Ibéria

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IbériaVi no Eduardo Arcos a respeito de uma polêmica que surgiu lá pelas bandas do Velho Mundo. Portugal e Espanha sempre tiveram uma ligação muito forte. Os patrícios já foram governados por reis espanhóis muito antes do Brasil aparecer e, em um tempo longínquo, estes dois países europeus foram um só território. Assim como em todo o continente, Portugal também sofreu diversos processos que culminaram com a sua formação tal qual apresenta-se hoje.

E a mais evidente ligação entre esses dois países se dá na expansão pelo mar no mesmo período, a princípio visando descobrir um caminho para as Índias. A Espanha começou na frente, graças a Cristóvão Colombo (suspeita-se que tenha sido português, mas até hoje não se tem certeza), que acidentalmente descobriu um novo continente. Alguns anos depois, Pedro Álvares Cabral, à mando da coroa portuguesa, chegou ao nosso país.

Geograficamente Portugal é uma linha vertical, inteiramente abraçada pelo território espanhol. E por muito tempo ventilou-se a idéia de unificar estes dois países, para transformarem-se na Ibéria idealizada pelos antigos gregos. Inclusive em 1830 houve uma proposta por parte da Espanha para unificar a península, criando um país chamado Ibéria, mas que prontamente foi recusada pelo então imperador do Brasil, Dom Pedro I. Esta idéia nunca foi esquecida, e vez por outra renasce.

Desta vez, quem prega esta unificação são alguns portugueses, como o famoso escrito José Saramago. Em uma entrevista ao jornal espanhol ElPaís, Saramago ‘profetiza’ que Portugal futuramente será um estado autônomo integrado ao território espanhol. Para ele, Ibéria deve ser o nome adotado para evitar desavenças de portugueses que não aceitem a submissão. O processo deve ser feito de modo que os dois países (Portugal e Espanha) possam ter representatividade igual no novo Parlamento. E esta unificação seria interessante para Portugal, que se aliaria a um dos maiores PIBs mundiais, e para a Espanha, que poderia adquirir mais representatividade a nível mundial.

Con diez millones de habitantes, (Portugal) tendría todo que ganar en cuanto a desarrollo,
y no sería una cesión ni acabar con el país, continuaría de otra manera. No se dejaría de hablar,
de pensar y de sentir en portugués, (…) y no seríamos gobernados por españoles, habría
representantes de los partidos de ambos países en un parlamento único con todas las fuerzas
políticas de Iberia.
José Saramago

Resta saber qual o pensamento da maioria dos portugueses, já que a questão da soberania nacional é um grande empecilho. Ainda mais para um país com uma tradição histórica forte como Portugal.

Escrito por Evilasio Tenorio

17.07.2007 em 9:35 am

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Mais do Brasil

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O fim-de-semana foi especial para o esporte brasileiro: foi dada a largada para o Pan do Rio, a seleção brasileira de vôlei foi heptacampeã do mundo e a de futebol bicampeã da Copa América, mesmo sem os tais Ronaldinho e Kaká.

Na luta pelas medalhas do Pan, fica mais uma vez evidente que mesmo com a construção de uma magnífica estrutura para sediar os jogos, sem planejamento não haverá sucesso. O resultado é que alguns atletas se superaram e conseguiram medalhas de prata e bronze para o Brasil (exceto o lutador de taekwondo, Diogo Silva, que venceu com maestria seu oponente), e a cada dia nos distanciamos do tão almejado ‘terceiro lugar’ na contabilidade de medalhas.

Abertura do Pan

A cerimônia foi belíssima, um verdadeiro espetáculo, coisa de primeiro mundo. Tudo ocorreu muito bem, exceto a falta de educação do público presente ao vaiar o presidente da República e as delegações dos EUA e da Venezuela. As vaias dirigidas às delegações demonstram que muitos brasileiros não sabem ainda o que significa ‘respeito ao próximo’ e receptividade (se estas vaias fossem proferidas para a delegação brasileira em outros países, seria motivo para intermináveis discursos ufanistas – no entanto, nossa seleção de futebol foi muito bem recebida na Venezuela), e levam a entender que o carioca não sabe ‘recepcionar seus visitantes’. Também o que fizeram com o presidente da República simbolizou, para o resto do mundo, o desrespeito que o brasileiro tem ao seu país e a sua história. Ele, como representante máximo de nossa nação, merece o respeito que o cargo lhe impõe. Se cometer crime, que seja destituído e pague por tal erro. Mas desonrar um posto tão importante como o de presidente brasileiro é o mesmo que renegar o valor de nossa nação (as vaias não atingiram somente o cidadão Lula, mas o Chefe-de-Estado). Ponto negativo, que certamente ficará na história.

As vitórias das seleções de vôlei e futebol foram magníficas. Uma virada surpreendente no vôlei mostrou ao mundo (e aos russos) que ainda somos os melhores. Bernardinho, um verdadeiro líder, sabe o que é ser um vencedor. Já a seleção de futebol deu uma aula de humildade e competência. Soube reconhecer o favoritismo do adversário, mas afirmou que, com muito respeito, entraria para ganhar. E o fez. Jogou uma bola ‘redonda’, massacrou o adversário que vinha de uma campanha irretocável até então, e mostrou que o futebol brasileiro deve ser respeitado, sob qualquer circunstância.

Como é de praxe nessa terra de ninguém, enquanto o povo brasileiro (ou, como diz meu amigo Junior, brasileiropocotó) se delicia com notícias diárias a respeito do Pan, políticos deitam-e-rolam em Brasília. Alguns políticos corruptos tentam se safar da guilhotina, outros que se dizem ‘a favor do povo’ compactuam com tais sujeiras, outros que se acham ‘detentores da verdade’ se mobilizam para proibir o aborto sob qualquer hipótese (e ir de encontro ao pensamento da civilização moderna), e até alguns guardiões da sabedoria pedem que o presidente seja mais ‘humilde’. Essa turma da capital é mais sem-graça do que o Zorra Total…

Escrito por Evilasio Tenorio

16.07.2007 em 8:36 pm

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Comédias da Vida Cotidiana

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Normalmente durante a semana passo as noites na faculdade de Direito, pois trabalho por todo o dia. Nessa época de férias, enquanto não viajo a trabalho minhas noites tem outro destino: o apartamento de minha namorada. Ela é uma pessoa muito agradável e simpática, mas que sofre do mal que toda mulher tem, ao menos uma vez ao mês. Sem saber do destino que me aguardava, sai por volta das 19hs para visitá-la. Chegando lá, toco a campainha e ela vem me atender. Daí se inicia a história a seguir…

Namorada - Oi, mô. Tudo bom?
Eu - Agora tudo ótimo, minha deusa, depois que te vi.
N - Vixe, já começou. Porque fica me endeusando?
E - Porque eu te adoro, minha gata. Minha princesa, meu tudo, minha pitchulinha.
N - Vai, fala sério. Deixa de frescura e me trata direito.
E - Ok, então.
N - Peraí, também não precisa ser tão frio comigo. Você não sabe ser romântico!
E - Hã???
N - É verdade!
E - [arretado da vida] P…, tu tava reclamando agorinha que eu te tratei com muita ‘frescura’! Que tu quer?
N - Eu não disse ‘frescura’…
E - Ué, disse o quê?
N - Que você está me tratando ‘com frescura’. Não distorça o significado…
E - Ué, e tem diferença?
N - Lógico que tem. Você é homem, não entende o que uma mulher quer dizer…
E - Tá me chamando de burro?
N - Lógico que não, meu docinho! [dá um selinho] Tá, esquece. Vai e senta no sofá que tô vendo a novela.
E - Tá bom…

Alguns minutos depois…
[Estou deitado com a cabeça no colo dela, quase cochilando. Enquanto isso, recebo um cafuné.]
N - [me cutucando na cabeça] Mô, esse Gianechinni é um super gato, né?
E - Sei lá.
N - Porque sei lá, não tá vendo que ele é um deus grego?
E - Ih, deixa de frescura. Eu não posso te chamar de deusa mas você pode chamá-lo?!?
N - Porque frescura? Olha o palavriado… [empurra minha cabeça] Eu posso chamá-lo sim, porque ele É o Gianechinni.
E - [me levantando] Porque palavriado? Você falou frescura e não foi palavriado. Porque eu não posso falar também?
N - Porque você quis me agredir, percebi pelo seu tom de voz.
E - Danou-se! E agora tu anda percebendo as coisas?
N - Pois é, meu bem! [debochadamente] Sou mulher, tenho sexto sentido!
E - Eita! Mas voltando ao boiolão lá… [referindo-me ao Gianechinni]
N - [me interropendo] Ah, meu filho. Boiola ele não é M-E-S-M-O!
E – E como você sabe?
N – Porque ele é um deus grego. E me diz uma coisa, porque todo homem tem a mania de chamar o outro de boiola?
E – Porque se eu disesse que ele é um deus grego, assim como você, o boiola seria eu! [ficando irritado]
N - Vocês homens, sei não… Muita frescura!
E - Olha aí, de novo!
N - Calma, amor. Olha o foco da conversa! [desviando a atenção]
E - Que foco! Que conversa sem pé-nem-cabeça… Mas, sobre ele SER o Gianechinni e por isso poder ser um deus grego… Sim, e daí. Você é você, eu sou eu. Somos humanos iguais a ele. Eu adoro você, e sou mais eu do que ele, oras!
N - Você? humpf… Nem brincando.
E - Ué, porque? Prefere ele? Não tá satisfeita comigo?!?
N - Nem sempre a gente tem tudo o que quer…
E - Caramba! Ah, é? Então fica com ele pra você! Ele vai até gostar, só é chegado em coroa. E você tá ficando com cara de uma…
N - [olhando pra mim com raiva]. É, né… E você também, por estar comigo!
E - Fazer o quê, né? Nem sempre a gente tem tudo o que quer… [dando o troco na mesma moeda]
N - [logo relaxa em seguida] Tá bom, paixão, vamos parar. Calma, tá mô. Eu te amo!
E - Mas disse que prefere ele…
N - Eu não disse!
E - Mas quis dizer!
N - Eu, hein… Esquece, vamos continuar vendo. [puxando minha cabeça para seu colo novamente]
E - [olhando para cima] Você tirou o dia pra me arretar…
N - [me dá um tapa na testa] Cala a boca, tô vendo a novela!
E - Ai, ai, ai…
N - [tapa minha boca] Shhhhhh…

Outros longos minutos…
N - Ihhhhh, essa Cláudia Raia tem uma cara de piranha…
E - Meu amor, é só o personagem dela na novela. Ela é uma mulher muito bonita.
N - Ué, porque você tá defendendo ela? Acha ela bonita, é? Atraente, gostosa? [pára de fazer cafuné]
E - Eu não disse isso!
N - Mas quis dizer, e na minha frente! [empurra minha cabeça novamente] Levanta! Você não me respeita? Bem que minha mãe disse, homem é tudo igual, e você é um galinha!
E - Calma, eu não disse nada.
N - Você não me respeita. Safado! Pra que veio pra cá, se não tá satisfeito comigo?!?
E - Calma, minha deusa. Eu te adoro!
N - Tá vendo? Começou a tirar onda com a minha cara, de novo! Já começou com essa frescura!!! Sabe de uma coisa? Não quero mais ver TV. Pode ir pra casa, tchau!

Daí ela vai e se tranca no quarto. Fico sentado assistindo ao resto da novela, sem entender o que aconteceu. É difícil lidar com mulher braba, ainda mais em época de TPM… Ô negócio complicado!

Escrito por Evilasio Tenorio

12.07.2007 em 2:02 am

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Exemplo anti-corrupção

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Faixa de 'Protesto'Enquanto aqui no Brasil a sacanagem rola solta, com todo mundo roubando adoidado sem qualquer tipo de punição, outros países que alguns consideram atrasados dão demonstrações de como acabar com a corrupção no Poder Público (e por algo muito parecido com o que aconteceu por aqui anos atrás). Enquanto Renans e Rorizes da vida continuam mamando nas tetas da Mãe-Brasil, os chineses demonstram não aceitarem tais atitudes de políticos ao executarem um ex-ministro do governo por corrupção, mostrando um exemplo e dando uma advertência a outros políticos de que não aceitarão tais atitudes.

O ex-ministro Zheng Xiaoyu, 62 anos, recebeu pouco mais de 650 mil euros entre subornos e presentes para deixar vender produtos farmaceuticos falsificados sem qualquer fiscalização do governo (lembram-se dos comprimidos para prevenção de gravidez feitos de farinha?) Com tal atitude, a China tenta limpar sua imagem e mostrar pulso firme no combate à corrupção e à falta de controle sanitário de produtos chineses tóxicos que vêm causando vítimas no mundo todo.

Aqui no Brasil a corrupção é entendida como mera ‘falta de decoro’, sem qualquer punição severa. Nunca o STF ou o STJ puniu alguém por corrupção (Collor não foi punido por corrupção, mas teve seu afastamento confirmado por eles, que apenas suspenderam seus direitos políticos). E o povo que não tá nem aí se limita a fazer protestos bem-humorados, como o desta senhora da foto (dica do Flávio). Já num país sério como a China, toma-se atitudes drásticas mas eficientes. Imagino que se essa moda pega aqui no Brasil, como bem disse o Marcos Bahé, não sobraria ninguém! Ô país bagunçado!

Escrito por Evilasio Tenorio

10.07.2007 em 1:03 pm

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Cristo Redentor? Maravilha…

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E o Cristo foi eleito uma das sete maravilhas do mundo moderno. Uma excelente notícia, prestigiando o mais famoso cartão-postal do Brasil, e uma das mais belas paisagens do mundo. Só quem já teve a oportunidade de subir o Morro do Corcovado, chegar aos pés da estátua e de lá admirar a imensidão pode afirmar o quanto o Rio de Janeiro é lindo, e como este prêmio faz justiça a nosso país.

Mas como nem tudo na vida é flores, já tem gente metendo o pau no concurso, realizado mundialmente. Como a mania de perdedor é reclamar e não concordar, alguns jornais europeus estão questionando o fato do Cristo Redentor ter sido escolhido em detrimento a dois monumentos deles. Segundo os espanhóis, por nossa população ser maior tivemos mais chances de optar pelo nosso candidato. Já os ingleses acreditam que a votação via celular e pela internet pode ter sido fraudada, já que os brasileiros poderiam entrar várias vezes e votar. Chegaram a ironizar o concurso, que julgaram ser de cunho comercial.

Os alemães, tradicionalmente arrogantes, acreditam que a não-escolha do castelo Neuschwanstein soa como uma deselegância já que, sem esta presença, ficou demonstrado o ‘pouco refino no gosto cultural do resto do planeta’. E duvida que a nova lista se firmará, por não ter a presença de monumentos provenientes da América do Norte ou da África. Inclusive, para eles, o Brasil se valeu de uma campanha ‘histérica’ para ter seu candidato escolhido.

Até a UNESCO resolveu dar seu palpite, condenando as escolhas. Segundo a instituição, não foram usados os critérios estabelecidos por ele, dando uma imagem ‘negativa’ à escolha. E também porque existem muitas maravilhas espalhadas pelo mundo, e a restrição a sete soa como um ‘desrespeito aos que ficaram de fora’ (esquecem-se que tal referência advém desde os tempos bíblicos).

Enquanto a Índia (Taj Mahal), a Jordânia (Ruínas de Petra), a Itália (Coliseu), a China (Grande Muralha), o Perú (Machu Picchu), o México (Complexo de Chichén Itzé) e o Brasil comemoram a escolha dos seus indicados, o resto do mundo que ficou de fora da lista critica a nova escolha. Uma coisa é certa: o planeta é riquíssimo culturalmente, e as indicações que ficaram de fora em nenhum momento perderão seu prestígio ou valor. Mas a graça do concurso foi a escolha popular, e não dá pra ir de encontro a mais de 100 milhões de votos. Enquanto os perdedores protestam e lamentam, apreciemos a vista e comemoremos a imortalização do mais belo referencial brasileiro.

Cristo Redentor (no Corcovado)
Imagem por bossa67

Escrito por Evilasio Tenorio

09.07.2007 em 5:08 pm

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Insustentabilidade

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Renan CalheirosEstá ficando cada vez mais difícil a vida do senador Renan Calheiros (PMDB-AL). Não bastando as várias denúncias de corrupção envolvendo seu nome, mais uma grave é divulgada, tornando mais insustentável aquilo que já não era compreendido: a sua permanência no cargo de Presidente do Senado, e, consequentemente, do Congresso Nacional.

O Senado há muito deixou de ser a casa do povo para se tornar a casa de um só brasileiro (ou brasileira, a casa da Mãe Joana). São inúmeras denúncias o tempo todo, escândalos a cada semana em que nada se resolve. O tal ex-senador Roriz saiu pela porta da frente, renunciou como se tivesse sido injustiçado, chegou a chorar em rede nacional alegando inocência, colocou o penico embaixo do braço e partiu pro seu curral eleitoral buscando espaço para estar de volta rapidinho. Engraçado nesta terra de contrastes, onde bandido que rouba lata de comida no supermercado ou bate carteira é ladrão, rouba e merece ser preso, enquanto bandido que desvia verbas milionárias se vale de seu cargo para obter recursos de modo ilícito e é considerado ‘inocente até que prove o contrário’, sendo sua atitude considerada uma simples ‘falta de decoro’ com sua chance de punibilidade sendo zero.

País imoral, políticos imorais, futuro imoral. Será que essa zorra nunca vai mudar? Sabe de uma coisa, sou a favor de movimentos como o que os sem-terra promoveram tempos atrás (entrar no Congresso quebrando tudo). Da próxima vez me façam um favor: se organizem e entrem por lá quando essa corja estiver em audiência. E desçam o cacete.

Escrito por Evilasio Tenorio

09.07.2007 em 11:04 am

Publicado em Politicalha

Fora, torcedor!

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Esta semana estava viajando à trabalho (como de costume, ultimamente), e voltei ao Recife na quarta-feira de tarde, distante de qualquer ‘turbulência’ que vem afetando o turismo brasileiro. Após descarregar os meus troços em casa, corri às pressas para a Ilha do Retiro, na esperança de poder entrar no estádio para assistir ao jogo do meu Sport contra o Corinthians. Pensei: “pôxa, dia de semana, às quatro da tarde, acredito que vai ser tranquilo chegar lá”. Ledo engano. Das duas uma: ou trabalho tá muito fácil de se arrumar nesses dias, ou o desemprego realmente está muito grande. O estádio estava lotado, embora faltasse mais de uma hora para iniciar a partida. E a prova foi tanta que neste jogo foi registrado o maior público do Campeonato Brasileiro até agora: 33 mil pessoas.

Primeiro gol do Sport

Realmente, atrativos não faltaram. O time está em ascensão e vinha de uma vitória esmagadora em cima do Náutico, eterno freguês. Tinha a Ilha fazendo aniversário neste dia, além das homenagens feitas a Ariano Suassuna, e ao eterno artilheiro Haroldo Praça. Tinha tudo para ser uma tarde belíssima, se não fosse o despreparo de dirigentes amadores, aliados a uma operação policial incompetente. O público foi mal dimensionado, o efetivo policial continuou a mostrar despreparo, e a venda dos ingressos ocorreu da forma mais desorganizada possível. Depois de tanto tumulto nas bilheterias, eu e meus amigos desistimos de assistir a partida no estádio, e fomos para um bar próximo curtir a deliciosa vitória rubro-negra (e nos entristercermos de não poder ser testemunha ocular de um dos mais belos gols já feitos, o de Weldon). Um mar de gente entrou no estádio, enquanto outro ficou do lado de fora, literalmente, a ver navios. Uma tremenda desorganização, digna de dirigentes de times de várzea.

Estou falando isso porque vi um debate na rádio hoje, que questionava o porquê do público de jogos oficiais estar diminuindo consideravelmente ao longo dos anos. A conclusão que chegaram os jornalistas é de que a TV é a culpada por essa ‘debandada’ dos torcedores. E eu pensei: “será mesmo?” Sinceramente, pra mim é querer forçar demais a barra. Realmente, existe uma certa ‘parcela de culpa’ pela facilidade de se assistir aos jogos sem precisar sair de casa. Mas daí a atribuir a esse meio de comunicação a culpa chega a soar como uma falta de responsabilidade.

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Escrito por Evilasio Tenorio

06.07.2007 em 3:55 pm

Publicado em Futebol