Archive for the ‘Relações Internacionais’ Category
A Coréia e suas bombas
Depois do anúncio da possibilidade do teste de uma bomba nuclear produzida pela Coréia do Norte, o mundo inteiro ficou receoso da possibilidade de uma nova corrida armamentista, à curto prazo, entre os países asiáticos. O Japão, que nem exército possui, tende a rever sua Constituição (imposta pelos EUA após a 2a. Guerra, que proíbe a existência de uma força armada) e buscar proteger-se de uma ‘possível ameaça’, e evitar que algo parecido com os ataques americanos em 1945 ocorram novamente. A China, que é considerada uma potência atômica, assusta-se com o vizinho, que começa a incomodar fortemente, enquanto a Coréia do Sul teme uma tentativa de invasão por parte dos irmãos do norte.
Do outro lado do Pacífico, os EUA, com seu egocentrismo costumeiro, declaram-se atacados com esses testes norte-coreanos e dizem que a ONU deve intervir na situação (como se eles mesmos respeitassem a opinião desse fracassado organismo). Gerge W. Bush afirmou que os testes atômicos desta semana “constituem uma ameaça à paz e à estabilidade mundial”, e que vai buscar junto a ONU um modo de fazer com que a Coréia do Norte “respeite seus compromissos internacionais contra a proliferação nuclear”, ao tempo em que assegurou estar alinhado com a política da diplomacia (Bush não é louco de querer enfrentar um país que pode ter um arsenal atômico novo, com um comandante louco para descarregar suas armas pela costa oeste americana). A Coréia do Norte afirma que novos testes nucleares serão realizados, a depender do comportamento dos EUA, que eu acredito ser mais ‘racional’ desta vez. Bush sabia que o Iraque não tinha armas atômicas, e por isso invadiu com a maior tranquilidade, evitando que Saddam também desenvolvesse esta tecnologia. Já perante a Coréia do Norte, sempre considerada integrante do ‘eixo do mal’, o líder americano rejeita qualquer possibilidade de ‘uso da força’, e sabe que agora o jeito é administrar o problema.
Cuba sem Fidel
Os [tag]Estados Unidos[/tag], com sua eterna mania de serem os justiceiros a espalhar o bem e a democracia pelo mundo, agora voltam suas atenções ao pequeno calo colado no ’suvaquinho’ da Flórida, e que sempre os incomodou: [tag]Cuba[/tag]. A declaração de que os americanos desejam uma eleição no país, ao invés do repasse do poder ao irmão do ditador, reacende a polêmica em torno desses dois países, e Cuba já está se preparando para um eventual ataque americano.
Enquanto os Estados Unidos lutam pela implantação da democracia na pequena ilha, os cubanos preparam-se para enfrentar com coragem e patriotismo o ‘imperialismo e máfia americanas’. Os americanos alegam, também, que a situação no comando de Cuba poderia agravar a constante migração para a Flórida, destino preferido dos compatriotas de [tag]Fidel Castro[/tag].
Enquanto os americanos preocupam-se com assuntos que não os interessa, simplesmente fecham os olhos para as atrocidades que seus aliados israelenses estão cometendo no [tag]Oriente Médio[/tag].
Tensão Nuclear
O mundo (e George Bush), aos poucos, passa a dar a devida atenção à [tag]Coréia do Norte[/tag]. Os [tag]Estados Unidos[/tag], que mais preocupavam-se com fitas com supostas gravações de Bin Laden, agora tem mais uma dor-de-cabeça: os testes com os novos [tag]mísseis[/tag] norte-coreanos. Esses equipamentos, em pleno funcionamento, aterrorizariam o governo americano, haja visto que neles podem ser transportadas ogivas nucleares, e que teriam um raio de alcance de mais de 4.500 quilômetros. Do território norte-coreano, facilmente o míssil com a ogiva poderia chegar em território americano e, implantado em um navio, atacar qualquer lugar do mundo.
Os americanos, que morrem de medo do surgimento de uma nova superpotência comunista que venha a atrapalhar os seus planos de controle da política mundial, e da possibilidade de um conflito nuclear (que rondou o planeta durante toda a Guerra Fria), fecha com os países mais desenvolvidos uma série de pacotes que visa retaliação ao país asiático. Já a atitude do governo norte-coreano, que intransigentemente não aceitou qualquer tipo de argumentação com a [tag]ONU[/tag] ou outros países, e deu continuação ao seu programa nuclear de forma unilateral, não ajuda em nada a resolver o mal-estar.
O governo japonês, visando proteger-se, resolveu proibir a entrada de qualquer norte-coreano em seu território, enquanto os Estados Unidos perguntam-se se seriam capazes de defender-se de um possível ataque norte-coreano. A China , a Coréia do Sul e a União Européia também manifestaram-se contra os testes, e os Estados Unidos estudam atitudes urgentes para amenizar o problema.

Ontem, 4 de julho, dia da independência americana, foi a data estrategicamente escolhida por Kim Jong-il para mostrar aos americanos e o resto do mundo que a Coréia do Norte não está para brincadeiras. Devido ao cenário, a ONU resolveu reunir-se hoje para discutir a situação. E enquanto falava-se em New York sobre o assunto, a Coréia do Norte fazia um novo teste, deixando a situação ainda mais complicada.
O resto do mundo, que andava esquecido da Coréia do Norte, deve olhar com mais atenção para aquele trecho do globo, e ao invés de ridicularizar do tamanho relativamente pequeno daquele país e de seu governante, atentar para o risco que a competência dele em lidar com seu povo e seus interesses pode representar para o resto do mundo. Porque, se os Estados Unidos não levarem a sério os norte-coreanos, Bush pode levar um grande tombo.
Dizer que os norte-coreanos não são capazes de criar armamentos nucleares pequenos o suficiente para serem enviados por mísseis é, no mínimo, muita imbecilidade, já que não existe nenhuma notícia concreta sobre a capacidade militar deste país. Porque a Coréia do Norte, muito mais do que o Iraque, tem capacidade de ter estes armamentos. E eu não seria louco de pagar pra ver…
Isso é coisa da China!
Agora, os Estados Unidos consideram a China uma ameaça à sua soberania, ao menos é o que diz um relatório divulgado pelo Pentágono. O relatório alerta que os rápidos desenvolvimento militar e modernização das forças estratégicas do exército chinês são, diretamente, um risco para os Estados Unidos. Segundo eles, ‘a habilidade da China em sustentar seu poder militar à distancia é limitada, mas que o país tem mais potencial que qualquer outra nação para competir militarmente com os Estados Unidos.’
O Departamento de Defesa americano ainda solicita que os militares chineses devem ‘explicar-se adequadamente’ sobre o grande acréscimo de armamentos e investimentos sofridos pelo exército do país oriental, ao tempo em que diz lamentar uma falta de transparência com relação a este assunto.
Todos esses comentários tem a ver com o conflito entre a China e Taiwan, península que insiste em tornar-se independente, e que conta com apoio dos Estados Unidos (inclusive com cessão de armamentos). A China considera Taiwan uma “província rebelde” que deve ser reintegrada a qualquer custo, e também apóia o programa nuclear do Irã, que os Estados Unidos insistem em classificar como integrante do tal ‘eixo do mal’. Inclusive, por tal apoio, os americanos vetam com rigor a possibilidade de inclusão da China no G-8.
Engraçado como os americanos insistem em manter-se como portadores da verdade absoluta e mantenedores da paz mundial. Triste saber que os Estados Unidos ainda não aprenderam o real e respeitoso significado da palavra soberania. E que não têm o direito de serem os ‘justiceiros’ a defender a boa convivência entre os povos. Esse é um papel que nunca funciona.
Metendo o bedelho…
Sinceramente, não entendo o porquê do governo norte-americano adotar uma política de relações internacionais tão turbulenta e ameaçadora como a atual, e no que tudo isso pode levar. Já não bastando a baixa reputação deste país perante a comunidade internacional, o imperador resolve tecer alguns comentários importantes que só fazem o mundo olhar cada vez pior para aquele lado do globo. Se observarmos o retrospecto do últimos anos, cada vez que Bush fala que determinado país ‘não possui uma democracia’, é o mesmo que dizer “se cuidem, estamos pensando em mexer com vocês”.
Questionado, em uma entrevista, o presidente resolveu dizer que considera a Bolívia e a Venezuela dois países que passam por uma ‘erosão da democracia’, e que isso seria algo perigoso para os interesses dos Estados Unidos (considerando uma estratégia americana em cima de países produtores de petróleo e não-amigáveis com aquela nação). O comentário de Bush foi o de que ‘o respeito ao direito de propriedade e aos direitos humanos é essencial para a paz e a prosperidade’, esquecendo ele de que sua nação não respeita estes mesmos princípios. Por exemplo, quem são hoje os responsáveis pelos poços petrolíferos iraquianos? E a prisão de Guantánamo, quando será extinta? Quando as pessoas lá encarceradas poderão ser visitadas? Bush ainda fez uma referência direta ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ao citar que a ‘interferência direta de um governante na eleição de um outro país não é interesse da região’. Pois é, piada sem graça…
Esses comentários vem reforçar a idéia de que os Estados Unidos pretendem fechar o cerco contra Hugo Chávez, depois da proibição da venda à Venezuela de armas, alegando que o país ‘não coopera completamente na luta contra o terrorismo’. Talvez, quem sabe, em tentativas isoladas de ceifar um pouco da força que este governante vem conquistando na América Latina com seu populismo barato e cínico. Resta saber até onde o governo americano vai se achar no direito de intervir, e no mal que essa política pode vir a causar.
Un Gobierno de Mierda
Excelente este texto, falando sobre a crise da Bolivia. Muito inteligente, seria ótimo que o nosso ‘competentíssimo presidente’ tivesse a oportunidade de lê-lo. (Dica do Fábio)
Anos atrás um trabalhador chileno dizia em uma faixa em defesa do então presidente Allende, durante um dos seus últimos comícios: “és un gobierno de mierda, pero és mi gobierno”. Pois é, toda a campanha de Evo Morales foi feita baseada no compromisso de que romperia os contratos de concessão com empresas internacionais que lá exploram o gás e o petróleo.
Foi essa bandeira que fez Morales vencer as eleições, e com o apoio do nosso “gnomo de botequim”. Pena mesmo Lula não ter aprendido o Latim (como lamentou ele em uma de suas célebres frases: “Eu gostaria de ter estudado latim, assim eu poderia me comunicar melhor com o povo da América Latina”), se tivesse, provavelmente entenderia hoje que “nuestro gobierno és una mierda, com una diplomacia tambiem de mierda, mas pone mierda en eso”!
Para completar o que eu quero dizer, reproduzo esta interessante colocação (junto com as imagens, também surrupiadas de lá), do Marcelo Tas em seu blog: Qual das duas imagens abaixo reflete a realidade sobre a situação? E ele complementa: A dos quatro líderes, frente a frente, hermanos unidos “en busca de una solución”, da Reuters, publicada pela Folha de S. Paulo e pela maioria das publicações brasileiras; ou a do Evo Morales fazendo “trenzinho” no Lula, da AP, publicada pelo Globo?

Bem sugestivo…
Brasil x Bolívia 2
No post anterior, falando sobre a polêmica envolvendo a Bolívia, falei que seria em uma situação como esta que poderíamos ver com clareza como grandes e medíocres líderes atuam, e como grandes ou pequenos países se fazem respeitar. Parece que eu estava certo, embora vimos a realidade de um modo diferente da que queríamos. Depois de várias tentativas de passar a imagem de um governo corajoso, esses medíocres que nos representam passaram a, literalmente, abrir as pernas ao tal do Evo Morales, dando a Bolívia um valor muito superior ao que merecem ter.
Primeiro Lula fala que Morales estava certo ao fazer esta confusão, e que a culpa de tudo isso é do Brasil, ao depender tanto do gás. Agora, depois de ouvir do presidente boliviano que a nossa empresa chantageia o país deles e é a culpada pela situação caótica; o ‘nosso representante’ ainda admite dizer que mais investimentos podem sim acontecer naquele país, e que estaria disposto a “contribuir para a Bolívia melhorar a qualidade de vida de sua gente”. E a nossa gente aqui que morre de fome, e sem atendimento médico? Que palhaçada é essa que um representante brasileiro não faz nada para defender nossos interesses econômicos, dá razão ao adversário e ainda por cima se compadece de sua situação, tendo piores por aqui?
Nessas horas que vemos como temos políticos ridículos e incompetentes. Duvido que, por exemplo, em um caso que envolvesse os EUA, eles pagariam pau a um país tão insignificante como a Bolívia… E nossos dirigentes com ‘medo’, respeitando uma coisa arbitrária como essa, parecendo que bilhões em investimento não são muita coisa para a nossa realidade…
Por isso que o nosso país, sinceramente, é uma merda. Porque temos políticos merdas, eleitos e mantidos pela inoperância de uma sociedade. Me perdõem, mas em casos assim talvez caísse bem um presidente tipo o Bush. Com ele, ou vai, ou racha…
Brasil x Bolívia
Foi nesse 1o. de Maio que o presidente boliviano Evo Morales resolveu anunciar algo que já se suspeitava, e temia: a retomada da exploração de seus recursos naturais, mas de uma forma suja: com o sequestro dos bens das empresas, e a possibilidade de expulsão. A Bolívia já vinha emitindo sinais de que poderiam tomar algumas medidas que significassem prejuízo para as empresas brasileiras que atuam no país, principalmente a PETROBRAS, mas diferente do caso da empresa EBX (do Eike Batista, aquele que foi casado com a Luma de Oliveira), onde tinham razão ao proibir a atuação desta empresa baseando-se na Constituição nacional, que prega um certo afastamento das empresas estrangeiras de suas fronteiras, além da constatada poluição que era causada, a atitude ditatorial e intransigente tomada ontem, talvez por conta de uma rápida subida de popularidade interna, recheada por pressões também bolivianas, fez com que Evo desse um passo sem medir suas consequências. Tal ato abre um precedente grave, já que o país pode ser judicialmente obrigado a arcar com todos os prejuízos que as empresas estrangeiras terão a partir de agora, além do risco de rompimento de relações diplomáticas e comerciais entre a Bolívia e outros países.
O mundo assustou-se com esta política nacionalista-louca, que não respeita contratos e que demonstra a instabilidade e pouca confiabilidade no atual governo. Só que parece que reações à esta arbitrariedade não devem tardar a chegar. A nível de Brasil, maior prejudicado nesta história, algo deve ser feito rapidamente. Começa no fim da manhã de hoje, em Brasília, uma reunião de emergência do governo brasileiro, onde Lula deve discutir com ministros de Estado como atuar na crise com a Bolívia. Espera-se também que haja um diálogo entre Lula e Evo Morales hoje. O tom do nosso presidente poderá ser diplomático, mas também será duro. Afinal, essas medidas radicais tomadas pelo presidente Morales podem significar o rompimento das relações com o Brasil. Leia o resto deste post »



