Heróis da Resistência
Historinha tirada do Blog do Torcedor do Sport, no Globoesporte. Muito bom, vale a pena reproduzir.
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Invadir a Baía dos Porcos, eliminar o exército verde, conquistar 3 pontos e mais um continente à sua escolha. A missão não era nada fácil para o General Geninho. Fácil mesmo, só entender a arte da guerra do nosso Sun Tzu rechonchudo:
- Quero todo mundo entrincheirado, lá atrás. Quem chegar perto, atire para matar (pelo menos a jogada)
Soldado Bilica, pacifista que era, interrompe o comandante:
- Mas, senhor, e a paz mundial? Vamos usar a diplomacia.
- Isso aqui não é concurso de Miss Universo, rapaz! O que você vai me pedir em seguida? Um livro do Pequeno Príncipe? Salvem as Baleias? Seja homem, soldado Biloca!
- É Bilica, senhor.
- Bilica, hein? Pra mim, você se chama Barbie. E se você não fizer o que eu mando, vai ser obrigado a usar essa camisa do Náutico na frente de todo mundo.
- Isso não, senhor. Pelo amor de Deus.
- DEUS? Deus não vai lhe ajudar quando 20.000 palmeirenses quiserem beber o seu sangue.
- Mas eu sou um cara da paz…
- Então você é maconheiro, né? Cadê o seu cachimbo da paz?
- Não foi isso que eu quis diz…
- Já chega! Você está fora do time!
- Não, eu faço tudo que o senhor mandar…
- Muito bem, Biloca. Vai lá e não deixe perna sobre perna.
Motivado pela conversa, o grupo partiu num vôo incerto para São Paulo. Antes mesmo de aterrissar naquela pista sem grooving, os soldados-atletas saltaram de pára-quedas no Parque Antarctica. E a recepção não foi nada boa. Uma massa verde povoava as arquibancadas, cantando em uníssono: ‘Poooorco! Pooorco!’ Nessa hora, todo mundo virou para Magrão. Goleiro que é, foi logo se defendendo:
- Não olhem pra mim, hoje eu não esqueci o desodorante.
- Quer dizer que hoje você não vai ter vergonha de levantar os braços e agarrar a bola no cruzamento?
- Aí é outra história…
Bem, se não era o Magrão, que vive fazendo suas cagadas, alguém deveria estar com a mão amarela no meio da torcida. E pra ser chamado de porco pela torcida toda, devia ter comido um churrasquinho de gato.
O jogo começa. Começa também a Operação Desmatamento. Tudo que era verde, nosso time derrubava. O Valdivia, disfarçado de moita debaixo daquela cabeleira, era o alvo principal. Não demorou muito pra que fizessem uma falta na entrada da área. Não demorou muito pra que o cara acertasse um chute de sorte por baixo da barreira. Não demorou muito para que o Magrão pegasse a bola. Ops, isso demorou muito. Gol deles.
De fato, parecia que o exército leonino ia bater em retirada. Mas como Bilica não achou essa tal de retirada, resolveu bater no jogador mais próximo mesmo. Um carrinho assassino por trás. Depois, se levantou e saiu correndo com a perna da vítima em mãos. Foi dar um abraço no técnico. “Essa é pra você, professor”.
Bem, quando você está com homens a menos, em território inimigo e perdendo a batalha, o mais sensato é abortar a missão. Mas em qualquer dicionário, principalmente no rubro-negro, o R vem antes do S. Portanto, raça vem antes de sensatez. E foi assim que os 9 leões de Esparta ignoraram a razão e se agigantaram para cima do Palmeiras.
Um ataque aéreo surpreendeu as defesas do time da casa. César voou alto e mandou a batata quente pra dentro das redes. Diogo invadiu a área inimiga como um espião e foi derrubado, mas não sem antes deixar uma bomba plantada. Se o ataque passado havia sido aéreo, o que selou a derrota do exército verde foi um fuzilamento. Diego Cavalieri no paredão, Da Silva no gatilho. O primeiro tiro pegou de raspão, o segundo foi fatal.
O Palestra Italia agora é território rubro-negro. Com cicatrizes de guerra, nossos heróis da resistência voltam pra casa, aclamados. Patriotas, honraram a nação rubro-negra, que amanhece feliz e estampando seu orgulho no festival de camisas leoninas. Sábado, tá todo mundo convidado para a Guerra de Reconquista.




Preciso admitir: boa mesmo. Nunca vi comentar futebol assim!…
Flávio
05.08.2007 em 2:00 am