Tecendo Ideias

Archive for Agosto 2007

Poluição Visual

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O prefeito do Recife, João Paulo, resolveu seguir o exemplo de São Paulo e bater de frente contra a propaganda clandestina. Desde ontem a cidade está sofrendo uma varredura, e todos os outdoors e placas luminosas que estão irregulares estão sendo retiradas, buscando limpar um pouco o visual da cidade, uma metrópole que sofre com o tradicional descaso governamental que culminou com um crescimento desordenado. Uma grande prova disso é você tentar andar pelas ruas principais da cidade no horário de pico. Além do trânsito torturante, as ruas estão lotadas de placas e faixas por todos os lados, muitas vezes nos impedindo de apreciar as margens dos rios, parques, etc.

A prefeitura promete pegar pesado, inclusive com altíssimas multas. A verdade é que esse projeto promete causar polêmica, e já estão sendo ouvidos os primeiros protestos. Questionam o desemprego, a falta da geração de rendas, as mesmas ladainhas de sempre. O prefeito entregou o projeto nas mãos de João da Costa, secretário dele e provável candidato na eleição do ano que vem. Será uma prova de fogo para ele, e a chance deste governo atual mostrar que nem sempre vai de encontro à opinião pública. Alguns dizem por aí que João da Costa vai ter muito trabalho, e deveria começar pelo seu chefe. Falam que esses chapéus do prefeito são verdadeiras poluições visuais…


A tal ‘poluição visual’

Escrito por Evilasio Tenorio

16.08.2007 em 2:00 am

Publicado em Meu Recife

Heróis da Resistência

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Historinha tirada do Blog do Torcedor do Sport, no Globoesporte. Muito bom, vale a pena reproduzir.

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Invadir a Baía dos Porcos, eliminar o exército verde, conquistar 3 pontos e mais um continente à sua escolha. A missão não era nada fácil para o General Geninho. Fácil mesmo, só entender a arte da guerra do nosso Sun Tzu rechonchudo:

- Quero todo mundo entrincheirado, lá atrás. Quem chegar perto, atire para matar (pelo menos a jogada)

Soldado Bilica, pacifista que era, interrompe o comandante:

- Mas, senhor, e a paz mundial? Vamos usar a diplomacia.
- Isso aqui não é concurso de Miss Universo, rapaz! O que você vai me pedir em seguida? Um livro do Pequeno Príncipe? Salvem as Baleias? Seja homem, soldado Biloca!
- É Bilica, senhor.
- Bilica, hein? Pra mim, você se chama Barbie. E se você não fizer o que eu mando, vai ser obrigado a usar essa camisa do Náutico na frente de todo mundo.
- Isso não, senhor. Pelo amor de Deus.
- DEUS? Deus não vai lhe ajudar quando 20.000 palmeirenses quiserem beber o seu sangue.
- Mas eu sou um cara da paz…
- Então você é maconheiro, né? Cadê o seu cachimbo da paz?
- Não foi isso que eu quis diz…
- Já chega! Você está fora do time!
- Não, eu faço tudo que o senhor mandar…
- Muito bem, Biloca. Vai lá e não deixe perna sobre perna.

Motivado pela conversa, o grupo partiu num vôo incerto para São Paulo. Antes mesmo de aterrissar naquela pista sem grooving, os soldados-atletas saltaram de pára-quedas no Parque Antarctica. E a recepção não foi nada boa. Uma massa verde povoava as arquibancadas, cantando em uníssono: ‘Poooorco! Pooorco!’ Nessa hora, todo mundo virou para Magrão. Goleiro que é, foi logo se defendendo:

- Não olhem pra mim, hoje eu não esqueci o desodorante.
- Quer dizer que hoje você não vai ter vergonha de levantar os braços e agarrar a bola no cruzamento?
- Aí é outra história…

Bem, se não era o Magrão, que vive fazendo suas cagadas, alguém deveria estar com a mão amarela no meio da torcida. E pra ser chamado de porco pela torcida toda, devia ter comido um churrasquinho de gato.

O jogo começa. Começa também a Operação Desmatamento. Tudo que era verde, nosso time derrubava. O Valdivia, disfarçado de moita debaixo daquela cabeleira, era o alvo principal. Não demorou muito pra que fizessem uma falta na entrada da área. Não demorou muito pra que o cara acertasse um chute de sorte por baixo da barreira. Não demorou muito para que o Magrão pegasse a bola. Ops, isso demorou muito. Gol deles.

De fato, parecia que o exército leonino ia bater em retirada. Mas como Bilica não achou essa tal de retirada, resolveu bater no jogador mais próximo mesmo. Um carrinho assassino por trás. Depois, se levantou e saiu correndo com a perna da vítima em mãos. Foi dar um abraço no técnico. “Essa é pra você, professor”.

Bem, quando você está com homens a menos, em território inimigo e perdendo a batalha, o mais sensato é abortar a missão. Mas em qualquer dicionário, principalmente no rubro-negro, o R vem antes do S. Portanto, raça vem antes de sensatez. E foi assim que os 9 leões de Esparta ignoraram a razão e se agigantaram para cima do Palmeiras.

Um ataque aéreo surpreendeu as defesas do time da casa. César voou alto e mandou a batata quente pra dentro das redes. Diogo invadiu a área inimiga como um espião e foi derrubado, mas não sem antes deixar uma bomba plantada. Se o ataque passado havia sido aéreo, o que selou a derrota do exército verde foi um fuzilamento. Diego Cavalieri no paredão, Da Silva no gatilho. O primeiro tiro pegou de raspão, o segundo foi fatal.

O Palestra Italia agora é território rubro-negro. Com cicatrizes de guerra, nossos heróis da resistência voltam pra casa, aclamados. Patriotas, honraram a nação rubro-negra, que amanhece feliz e estampando seu orgulho no festival de camisas leoninas. Sábado, tá todo mundo convidado para a Guerra de Reconquista.

Escrito por Evilasio Tenorio

02.08.2007 em 2:12 pm

Publicado em Futebol, sport

Injustiça?

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“Eu acho que Deus, quando fez a gente, ele nos fez perfeitos. Temos duas orelhas, uma para escutar vaias e outra para escutar aplausos. Isso não incomoda, sobretudo se os que estão vaiando são os que mais deveriam estar aplaudindo”. Com essas palavras, o presidente Lula afirma que não está se incomodando com as insistentes vaias que o acompanham aonde quer que vá por este Brasil. Provando do próprio veneno, Lula e o PT não esperariam nunca que com um índice de aprovação tão alto, protestos pipocariam pelo país afora reivindicando sua cabeça, e num primeiro momento não souberam sabendo lidar com isso, mas parece que estão se acostumando.

A verdade é que protestos do tipo que foi feito pelo MST ontem em Cuiabá (MT), com faixas dizendo “Fora, Lula”, muitas vaias, apitaço e baderna, refletem a indignação popular diante do caos político em que o país se encontra. Não sou contra Lula, mas acredito que já estava na hora de a população despertar e acabar com essa ‘lua-de-mel’. Há muito escândalos estouram por todos os lados, homens próximos dele são pegos com a boca na botija e conseguem sair ilesos, impunidade vigora e a cafagestagem parece não ter fim. Apesar de alguns programas socias de qualidade (que alguns amigos insistem em condenar), o governo tem falhado em muitos aspectos primordiais, assim como o anterior. Mas agora que deixaram de ser oposição para se tornarem situação, é necessário lidar com atos do tipo e manter a seriedade.

Lula tem, apesar de tudo, feito poucas ações que terão impactos positivos num futuro não muito distante, e se faz necessário que em momentos como este sua equipe reveja os pontos negativos que culminaram com esta insatisfação coletiva, para tentar acertar no pouco tempo que lhes restam de governo. Não adianta simplesmente alegarem que os protestos saem do idealismo das classes dominantes, “incomodadas com o fato de Lula ter um diploma primário e um curso de torneiro mecânico”.

A verdade é que o Lula, mais do que nunca com suas ações e reações, prova ser um produto da história brasileira. Ao longo do tempo este foi um papel que o PT soube desempenhar muito bem (o de protestar contra o governo), acostumando a sociedade a sempre condenar o governo caso algo desse errado e questionar a capacidade presidencial, sem se aterem aos reais fatos que levaram aos problemas ocorridos. O PT, velho arruaceiro, não adere mais ao antigo pensamento. Aqueles que literalmente ‘metiam o pau’ nos tucanos por tudo o que acontecia agora criticam quem tem posição contrária a eles. E não aceitam que a sociedade se mobilize, sob a velha alegação de que ‘determinados segmentos da sociedade tentam manipular a opinião pública’. Vemos aqui a velha máxima do feitiço virar contra o feiticeiro. O cansativo discurso de “Fora, FHC” proferidos pela CUT, à mando dos petistas, e as inúmeras insinuações de que o governo tucano era corrupto e deveria ser deposto em favor da democracia brasileira agora parecem se voltar contra eles mesmos, que passaram a ser o ‘telhado de vidro’ da política nacional.

O que me deixa preocupado nessa história toda é o fato de o presidente, antes um ferrenho combatente dos governos anteriores, que ia às ruas protestar e liderar milhares de trabalhadores, considerar que tais protestos são uma afronta à democracia. Não, senhor presidente, como o senhor anteriomente pregava, estamos exercendo a democracia que nos foi garantida pela Constituição. Os protestos têm uma razão de existir, não são apenas ‘meia dúzia de brasileiros’ que pensam da mesma forma. Não despreze o que acontece nas ruas, lembre-se que sua trajetória começou lá fora. Não renegue suas raízes, absorva os frutos que ajudou a plantar. Aqui se faz, aqui se paga.

Escrito por Evilasio Tenorio

01.08.2007 em 3:00 am