Archive for Março 2007
Conversa pra boi dormir
Tive que pagar hoje o IPVA do carro. Fiquei assustado quando vi inúmeras taxas, inclusive uma tal ‘taxa de conservação da via’, que vai me levar mais R$ 20,00. Só que a Prefeitura do Recife já tem uma taxa tapa-buraco que os moradores tem que pagar junto com o IPTU. E aqui na minha rua faz quase seis meses que o poste que fica bem em frente à minha casa está com a luz queimada, e embora paguemos R$11,00 mensais de taxa de iluminação pública, a luz não foi trocada mesmo com reclamações.
Fico pensando: são taxas que só a gota! Pagamos demais por serviços que não são prestados. Fui conversar com um professor que me veio com uma balela arretada: “Tributos não significam, necessariamente, que o valor pago deve ser repassado para a prestação daquele serviço. O tributo é contabilizado nas finanças do governo de um modo geral, e daí a administração pública decide onde deve investir”. Achei ridícula esta idéia, sinceramente. Se as taxas não vão servir para o que foram criadas, pra que então se coloca esses nomes? É como a história do CPMF, que era pra saúde e hoje é só uma forma de bancar os gastos de Lula?
Ô país indecente…
Anti-americanismo irracional
Estava lendo o post do Fábio a respeito de fotos que foram tiradas em frente ao Consulado Americano no Rio de Janeiro, quando da passagem meteórica de Bush por terras tupiniquins, e lembrei do que falei na semana passada a respeito dos protestos imbecis que estavam sendo feitos em todo o Brasil.
O Fábio falava especificamente sobre uma foto que mostrava um manifestante atirando tintas contra o Consulado, e que provocou imensa repercussão no seu blog. A verdade é que as fotos mostram uma total falta de respeito para com os valores e a representação daquele país. O Código Penal brasileiro já não mais considera um Consulado como a extensão do território de seu país e nem mais atribui imunidade diplomática ao cônsul ou seus familiares, agora isso é uma exclusividade da Embaixada e do seu comandante, respectivamente (infelizmente não sei se essa alteração também vigora na legislação americana). Mesmo assim, ainda continua sendo uma propriedade do governo americano, e como tal deve se respeitar sua integridade. Será que esses manifestantes, com suas políticas antiquadas bem ao estilo Chávez e ainda com idelogias comunistas do tempo da Guerra Fria, não faltaram ao respeito com tudo o que representa a história do povo americano, que não tem a ver com a irresponsabilidade de seu dirigente? O Consulado, assim como a Embaixada, são representações de uma nação, e não de seu governante.
Sendo assim, suponhamos em que os bolivianos, na época do confisco da Petrobras naquele país, passassem a atacar os Consulados brasileiros ou Embaixadas, como os brasileiros daqui reagiriam? Será que gostariam de ser sua representação sendo violada deste jeito? Já não ficaram muito satisfeitos com a entrada do exército nas usinas, e muitos pregaram que o Brasil deveria atacar o país vizinho, como seria se eles chegassem à este ponto? Guerra? Porque existe desrespeito de um lado e desleixo de outro? Porque os mesmos que se sentem ofendidos pelo ataque à soberania brasileira são capazes de apoiar atos esdrúxulos como os de sexta-feira? E se fosse ao contrário, os americanos perdendo seu tempo pra ficar atirando tintas contra as Embaixadas brasileiras nos EUA? Seria legal ver nossa representação no exterior sendo ridicularizada?
Uma imagem que me chamou atenção foi esta daqui do lado. Um homem carregando a bandeira da Palestina durante o protesto. Me respondam: pra quê isso? O que a Palestina tem a ver com a reunião entre Bush e Lula? O que a Palestina tem a ver com a política brasileira? Não nos interessa o que os EUA fazem com a Palestina, se desrespeitam sua soberania ou protegem Israel. Isso não é nosso problema, temos tantos aqui que foram causados por nós mesmos e nem por isso vemos protestos todos os dias. Aqui, sem a interferência dos EUA, se mata diariamente muito mais do que na Palestina, com uma interminável guerra. Afinal, onde estão as sequelas mais graves das desigualdades?
Acho que esses manifestantes deveriam unir forças para protestar contra os parlamentares que aumentam os próprios salários, os políticos corruptos que não são punidos, as irregularidades e os desvios de verba. Isso sim são coisas que interessam ao Brasil. Não sejam hipócritas, e pelo bem do nosso povo façam uma coisa: estão sacaneando com o nosso dinheiro, entrem no Congresso Nacional e quebrem tudo! Mas não façam um papelão desses num Consulado, seja de que país for. Porque o Congresso é nosso, o Consulado não. E entendam que os Estados Unidos não são tão maus como pensamos, assim como nós não somos tão inocentes e nem os outros países tão vítimas. Cuidemos de nossos problemas internos, porque nenhum palestino, árabe ou de qualquer outro país vai sair nas ruas para protestar porque mais um inocente, ou milhares deles, estão sendo exterminados diariamente na guerra civil que toma conta do Brasil.
Aniversariantes ilustres
Acredito que não existam outras cidades no Brasil que se complementem tão perfeitamente quanto Recife e Olinda. As semelhanças entre as duas são tão grandes que até a mesma data de aniversário compartilham, 12 de Março. Por serem duas grandes metrópoles, nunca se sabe exatamente onde termina uma e inicia outra, parece que as duas são uma só cidade explodindo de energia e com uma riqueza cultural de fazer inveja a qualquer outro povo.
Recife, capital de Pernambuco e do Nordeste, cidade que encanta. É tomada por grandes rios e a pujança de um grande centro. Compartilha das mazelas sociais decorrentes de um desenvolvimento descontrolado, mas também abriga em suas ruas apertadas e movimentadas um calor humano e um sentimento de paixão por tudo que sua trajetória representa. Um reconhecimento dos valores regionais capaz de causar inveja. O recifense é pernambucano antes de tudo, algo tão forte que o faz capaz de torcer pela seleção de sua cidade se um dia ela vier a jogar contra a Seleção Brasileira. O recifense tem uma chatice gostosa, que o faz carregar com muito orgulho a bandeira de sua terra, seja em belas camisetas ou pinturas feitas no rosto. Recife, berço do frevo e de tantos outros ritmos que são conhecidos de ponta-a-ponta do Brasil, e que infuenciam até hoje a cultura de outros estados brasileiros.
Hei! Vem cá que eu quero te mostrar
Hei! A minha cidade, o meu lugar
Hei! Recife tem um coração
Hei! Tem muito calor, muita emoção(…) Recife tem encantos mil
É… É um pedacinho do Brasil
É um paraíso tropical
Tem… Tem um acervo cultural (…)Recife, Minha Cidade (Reginaldo Rossi)
Já Olinda, com sua beleza tão característica que acabou por dar-lhe este nome, esbanja por suas ladeiras centenárias um caldeirão cultural tão imenso e atuante que encanta a todos que tem a oportunidade de ver sua evolução. Uma cidade gostosa e aconchegante, com um povo hospitaleiro e que se orgulha do seu papel histórico. Grande palco das maiores revoluções que ajudaram Pernambuco a ser intitulado ‘o estado multicultural’ do Brasil. O olindense não é diferente do recifense no que diz respeito ao amor à sua terra. Também se vale de um ufanismo positivo em relação a tudo o que Deus lhe deu, e que os seus antepassados foram capazes de lhe proporcionar. Olinda, a capital cultural do Brasil.
(…) Olinda, este meu canto
Foi inspirado em teu louvor,
Entre confetes, serpentinas
Venho te oferecer com alegria o meu amor.Olinda, quero cantar a ti esta canção,
Teus coqueirais, o teu sol, o teu mar,
Faz vibrar meu coração de amor
a sonhar, minha Olinda sem igual,
Salve o teu Carnaval!Hino do Elefante de Olinda (Clídio Nigro e Clóvis Vieira)
Duas terras parecidas, mas com diferenças tão grandes que somente os amantes destas grandes cidades são capazes de destacar. Cidades que carregam consigo o peso histórico de terem sido palcos de inúmeros fatos que influenciaram a concepção do Estado Brasileiro, e que até hoje fornecem ao país acontecimentos que enriquecem (ou empobrecem) a nossa trajetória.
Há uma ligação tão intrínseca e gostosa entre estas duas cidades que faz com que o recifense também seja um pouco olindense, e a recíproca ser verdadeira. São terras apaixonantes, encantadoras, envolventes. E todos nós, pernambucanos de verdade ou de coração, estamos de parabéns por esta data majestosa. Que Recife e Olinda, juntas formando esta nossa grande terra, cresçam cada vez mais, e continuem proporcionando ao seu povo essa magia cultural envolvente, mas que tenham governantes que valorizem o passado glorioso de suas ruas visando a construção de um futuro de progresso com sustentabilidade.
Bush no Brasil
George Bush veio ao Brasil e vai passar apenas um dia, mas sua passagem causou imensos transtornos à população de São Paulo. O presidente americano veio paquerar Lula para que o Brasil apóie a iniciativa norte-americana de incentivar o consumo do etanol, já visando um mercado futuro onde a escassez do petróleo irá causar severos problemas (americano não é besta). O nosso país, que é tido como a superpotência mundial do etanol, se vê numa posição onde poderá lucrar muito com um futuro acordo com os EUA, país que mais consome recursos naturais no mundo.
Indiferente de qualquer resultado que venha a ser obtido através de acordos entre os dois governantes, chega a soar ridículo todos os protestos contra a rápida visita do presidente americano em terras tupiniquins. Primeiro porque ele é um representante de um país, e por isso merece respeito. Não nos importa o que fez Bush no Iraque, ou no Afeganistão, ou em qualquer outro país que seja. Não fez nada contra nós, não nos prejudicou, então não podemos tomar as dores dos outros. Segundo que os EUA são os maiores parceiros que o Brasil tem, comercialmente falando, e um afastamento de nosso país do gigante irmão do Norte seria péssimo, em todos os sentidos. Vi fotos onde até integrantes do MST estavam protestando contra a visita do presidente americano. Me respondam: qual a ligação do MST com Bush, ou os EUA? O que Bush tem a ver com a questão da distribuição de terras no Brasil? Será que não é só uma ideologia boba de partidos de esquerda que pensam que a Guerra Fria ainda existe?
Não estou defendendo Bush, pouco me importa o que fez ou o que venha a fazer, desde que não prejudique nosso país. Questões comerciais são cartas na manga na hora de se negociar algo, e os destinos que cada país toma não diz respeito aos outros (desde que estes se vejam prejudicados). E me parece que nas últimas empreitadas de Bush, o Brasil não se deu mal comercialmente. Justamente por isso esses protestos são infundados, não tem muita razão de existir. Cada um faz o que quer, concordo, mas esse povo deveria estar mais preocupado em ir trabalhar do que ficar perdendo uma tarde fazendo baderna na rua, já que Bush sequer tomará conhecimento da algazarra.
Temos que aprender a respeitar outros países, que fazem-se representar na figura de seus governantes e instituições. Porque nós tratamos mal Bush, mas se Lula fosse na Bolívia, por exemplo, e fizessem toda essa confusão, vozes xenófabas surgiriam por todo o Brasil condenando as atitudes daquele povo. Não sejemos tão hipócritas a este ponto. Deixem o homem vir em paz, amanhã ele estará indo embora cedo, e ninguém perderá nada com isso. Talvez o país tenha a ganhar, e muito.
Cúmulo da violência
Não é de hoje que se fala muito do grande aumento da violência em todo o Pernambuco, todo mundo protesta e cobra do governo uma posição decente sobre o assunto, embora eles acreditem que não é tão grave assim. Mas quando vemos fatos como o ocorrido ontem é que vemos que nada escapa do caos que tomou conta daqui. Detentos de um presídio assaltaram uma cantina, e levaram todos os produtos, além de um relógio e R$ 600,00. O inacreditável é saber que o roubo ocorreu dentro do presídio Barreto Campelo (pasmem!) e, mesmo dois agentes penitenciários tendo visto, nada foi recuperado.
Se a bandidagem consegue praticar roubos dentro de presídios sem serem punidos, imagina nas ruas? Vergonha…
Demonstrações de preconceito
Essa eu vi através do Blog do Jamildo. Aqui no Recife tem tido uma negativa e supervalorizada repercussão de um texto atribuído a um colunista paranaense, cujas linhas transbordam arrogância, desleixo histórico e pitadas de preconceito contra nordestinos. Segundo Alex Gutemberg, colunista do Estado do Paraná, a região Nordeste é um mundo à parte formado por miseráveis mal-educados e repleto de cidades imundas.
Para os céticos que acreditam que o Brasil não é um país preconceituoso e ousam falar dos Estados Unidos como único exemplo desse problema, segue algumas das atrocidades proferidas por este cidadão:
O Nordeste brasileiro é um mundo à parte. (…) O que se ouve de Salvador a São Luís são avisos constantes aos turistas, ou a quem tem a pele branca: cuidado, não saia com a máquina fotográfica. Não saia com esse tênis, não leve dinheiro para a rua. Cuidado na praia, os ladrões estão em todos os cantos. (…)
O povo nordestino vive num mundo à parte. As cidades são imundas, o crime compensa (…). Eles não têm noção de limpeza, de educação, de respeito entre eles mesmos. São muito hospitaleiros. O povo de uma maneira geral, trata bem o sulista. Entretanto, acham que o futuro da humanidade está nos Bolsas-Esmolas do Lula, que, certamente será o novo Padim Padre Cícero da região. (…)
Nesse mundo diferente, longe da globalização, até os ricos e mais letrados acreditam no Lula, no governo petista. Pior, sabe lá o que se passa na cabeça desse povo mal alimentado, para adorar seus políticos, como Inocêncio de Oliveira, Antônio Carlos Magalhães, José Sarney e clã, entre outros. (…)
É por coisas assim que às vezes penso que o Nordeste deveria, sim, ser um outro mundo diferente do brasileiro. Uma pena a Confederação do Equador não ter vingado. Ê Brasil, tem jeito não.



