Archive for Outubro 2006
2o. Turno
“Dessa vez vai”, disse minha avó sobre a eleição. “Hoje eu queria beber todas pra comemorar, mas por causa desta palhaçada toda, não vai dar. P…”, disse um tio meu quando do término do jogo em que o Sport venceu o São Raimundo/AM e carimbou seu passaporte para a 1a. divisão. “Boa noite, nosso telejornal agora volta ao seu horário normal”, disse Fátima Bernardes. E “até que enfim acabou a canalhice eleitoral gratuita”, profetizou o genial Mução.
Tudo isso mostra o que todo mundo já sabe, e estava louco pra que acontecesse: o fim das eleições. E da encheção-de-saco, dos políticos-bissextos (os que só aparecem de quatro em quatro anos), da sujeirada no meio da rua, das carreatas com suas buzinas infernais, e do lapso nacionalista que toma conta de muitos ‘patriotas’ em épocas como esta ou de Copa do Mundo. Também é o período de vermos se iremos em fim dar um passo à frente como uma grande democracia, ou se retornaremos ao velho passo-de-carangueijo.
Indiferente de quem assuma, embora seja quase uma unanimidade, que tenha uma boa sorte. Mesmo se você votou no adversário que perdeu, o que importa é que a partir de 1 de janeiro o vencedor também será o seu presidente, e os atos dele influenciarão diretamente sua vida. Então, deixemos de lado a hipocrisia que contagia muitos dos que gostam de ser ‘do contra’, ao declarar que não foram responsáveis pela eleição daquele que só faz o que não deve.
Vamos todos dar às mãos, e lutar por um Brasil mais justo. E ajudar o próximo governante a impôr as reais mudanças que o nosso país precisa para avançar. A reforma política é algo urgente, e faz parte de todos nós tornar isso uma realidade. Basta protestarmos, mostrarmos aos que serão nossos representantes que não admitimos a situação em que se encontra nosso cenário político atual, e que, com o poder que nos é garantido em lei, exigirmos tais mudanças.
Embora não pareça, o Brasil pode sim ir pra frente, e se a gente quiser, ele vai. Vamos fazer a nossa parte hoje, irmos nas ruas e elegermos o nosso líder. E vamos tratar de participar mais da vida de nosso país, tirar nosso bumbum do sofá e correr atrás do nosso futuro, da nossa família, e o dos nossos amigos. Porque se todos o fizerem, a mudança virá, e para todos.
Sport rumo a Série A!
Que me perdõe o amigo Rodrigo, mas não dava pra deixar de falar na linda vitória do Sport sobre o Náutico por 2×0 na Ilha do Retiro, neste sábado. Um belo jogo, um belo placar, uma atuação exemplar das torcidas e uma festa que começou colorida e terminou vermelha-e-preta. O único fato lamentável foi a morte de um torcedor rubro-negro por um infarto fulminante, após o segundo gol do Sport. Uma pena, principalmente por ser um jovem de 23 anos que estava a se divertir.
Tirando este capítulo triste, o resto que se viu foi só alegria (exceto os alvirrubros ao fim da partida). Não houve confusão, os torcedores comportaram-se corretamente, a festa na arquibancada com ‘a Barbie e o Gremista’ levou a torcida à loucura, as coisas fluíram naturalmente, a partida foi exemplar, e a massa rubro-negra ajudou a levar o nosso Sport mais próximo da nossa vaga da Série A (e do título deste ano). Faltam só mais dois jogos!

Imagem do site MeuSport.com
P.S.: E, para aqueles que se iludem com a idéia que a mídia sulista tenta passar de que o Atlético/MG domina a Série B, lembrem-se de que o Sport liderou o campeonato por 13 das 31 rodadas, o Náutico 11, o Coritiba 5 e os mineiros apenas 3. E, das 31 rodadas, o Sport esteve fora do G-4 por apenas 1, enquanto o tal Galo entrou no G-4 na segunda fase do torneio. Olhando por este lado, parece que o domínio não vem bem lá das Minas Gerais…
E a história ainda rende…
Essa história do dossiê já está me cansando, não aguento mais ouvir a imprensa todo dia falar das mesmas coisas, tentar associar a produção desse falso documento à imagem do presidente Lula, e outras aberrações que, em um país sério, não seriam proferidas sem a devida checagem. E é de entristecer ver que a imprensa trata o assunto da forma mais ‘parcial’ possível, tentando a todo custo recordar (e, por isso, tentar associar, sem sucesso) a idéia de que Lula teria participação nesta história forjada.
O PSDB, em uma posição desesperada, ataca como uma metralhadora para todos os lados valendo-se de tudo o que for possível. Até o finado FHC ressuscita de sua tumba vez por outra achando ser importante declarar seu apoio a Alckmim, e também buscando tumultuar em declarações de que a turma de Lula “utilizaria propaganda nazista” nesta campanha eleitoral. FHC diz que eles (do PT) não se cansam de dizer mentiras, e que isso estaria os fazendo perpetuar no poder e apagar a imagem tucana. Esquece o finado presidente de que o seu próprio partido utilizou desta tática em 2002, quando tentou vender a idéia de que um governo do PT desestabilizaria a economia, fazendo com que o dólar subisse e as bolsas entrassem ‘em polvorosa’.
Como estamos na última semana da campanha, surgem novos fatos que alimentam o cenário confuso. Agora, a informação é de que houve uma tentativa de criar um dossiê falso contra Aloísio Mercadante, o que significaria que adversários petistas também tentaram o mesmo artifício (mas porque não investigam isso mais a fundo?). Do outro lado do circo, o tucano Tasso Jereissati (CE), que se diz o guardião da moral, desrespeita a Constituição Federal e já sentencia o presidente, ao declará-lo culpado e afirmar que Lula “chegou a um ponto que não tem mais nem a quem culpar, porque todas as pessoas ao seu redor estão diretamente envolvidas em casos de roubo do dinheiro público” (até agora a PF não sabe informar a origem do dinheiro, como Tasso o saberia?).
E nesse jogo de acusações, uma matéria veiculada pela revista CartaCapital promete colocar mais lenha na fogueira (pena que grande parte dos brasileiros que se dizem ‘interessados pela verdade na política nacional’ nunca leram esta revista). Segundo o editorial, “a mídia, em especial a Globo, omitiu informações cruciais na divulgação do dossiê e contribuiu para levar a disputa ao 2º turno”. A revista acusa que os principais meios de comunicação obtiveram de modo privilegiado e ilícito provas e informações da investigação da polêmica do dossiêgate, e mostra que as cúpulas da Vênus Platinada e outros grandes meios mais uma vez manipularam informações visando prejudicar a verdade.
(…) Tanto o Estado como a Folha dividem a primeira página do dia 30 entre a notícia das fotos do dinheiro e uma outra informação espetacular: a da queda do Boeing de passageiros da Gol (…) No dia 29, no Jornal Nacional, da Globo, no entanto, não há espaço para mais nada: a tragédia do avião da Gol não entra; o noticiário eleitoral, com destaque para as fotos do dinheiro dos petistas, é praticamente o único assunto.
É uma omissão incrível. O Boeing partiu de Manaus às 15h35, hora de Brasília. Deveria ter chegado em Brasília às 18h12. Quando o JN começou, a notícia do desastre já corria mundo. No site Terra, por exemplo, às 20h10 uma extensa matéria já noticiava que o avião da Gol havia desaparecido (…).
Qual a razão da omissão do JN? A emissora levou um furo, como se diz no jargão jornalístico, ou decidiu concentrar seus esforços no que lhe pareceu mais importante? Qualquer que seja o motivo, o certo é que a questão da divulgação das fotos mobilizou a cúpula do jornalismo da tevê dos Marinho. (…)
E ainda tem gente que acredita em tudo o que vê na TV… Pena o brasileiro não filtrar aquilo que vê nos jornais, apenas adota como verdade. Ainda mais por um meio de comunicação que possui a fama de manipular fatos ao seu bel prazer…
A Coréia e suas bombas
Depois do anúncio da possibilidade do teste de uma bomba nuclear produzida pela Coréia do Norte, o mundo inteiro ficou receoso da possibilidade de uma nova corrida armamentista, à curto prazo, entre os países asiáticos. O Japão, que nem exército possui, tende a rever sua Constituição (imposta pelos EUA após a 2a. Guerra, que proíbe a existência de uma força armada) e buscar proteger-se de uma ‘possível ameaça’, e evitar que algo parecido com os ataques americanos em 1945 ocorram novamente. A China, que é considerada uma potência atômica, assusta-se com o vizinho, que começa a incomodar fortemente, enquanto a Coréia do Sul teme uma tentativa de invasão por parte dos irmãos do norte.
Do outro lado do Pacífico, os EUA, com seu egocentrismo costumeiro, declaram-se atacados com esses testes norte-coreanos e dizem que a ONU deve intervir na situação (como se eles mesmos respeitassem a opinião desse fracassado organismo). Gerge W. Bush afirmou que os testes atômicos desta semana “constituem uma ameaça à paz e à estabilidade mundial”, e que vai buscar junto a ONU um modo de fazer com que a Coréia do Norte “respeite seus compromissos internacionais contra a proliferação nuclear”, ao tempo em que assegurou estar alinhado com a política da diplomacia (Bush não é louco de querer enfrentar um país que pode ter um arsenal atômico novo, com um comandante louco para descarregar suas armas pela costa oeste americana). A Coréia do Norte afirma que novos testes nucleares serão realizados, a depender do comportamento dos EUA, que eu acredito ser mais ‘racional’ desta vez. Bush sabia que o Iraque não tinha armas atômicas, e por isso invadiu com a maior tranquilidade, evitando que Saddam também desenvolvesse esta tecnologia. Já perante a Coréia do Norte, sempre considerada integrante do ‘eixo do mal’, o líder americano rejeita qualquer possibilidade de ‘uso da força’, e sabe que agora o jeito é administrar o problema.
Apelação é isso aí!
O TSE concedeu ontem liminar à coligação de Luiz Inácio Lula da Silva obrigando a revista “Veja” a retirar em um prazo máximo de 24 horas os outdoors da edição desta semana em que Geraldo Alckmin aparece na capa.
A coligação argumentou que a publicidade promove Alckmin e burla a proibição de uso de outdoors na propaganda eleitoral.
Procurada, a revista “Veja” não quis se pronunciar sobre o assunto.
E ainda dizem que esta revistinha é imparcial… Como se ninguém suspeitasse das preferências deles…
NE com as melhores notas do país
O Nordeste e o Sul são os estados com os melhores desempenhos em avaliações de cursos de nível superior, segundo o MEC. Essa notícia deu na Folha de São Paulo de hoje, onde questionava-se o porquê do Sudeste estar abaixo do Nordeste no ranking nacional. Segundo o jornal:
As regiões Sul e Nordeste aparecem empatadas em primeiro lugar com o maior percentual de cursos com os conceitos mais altos no Enade (29,9% e 29,8%, respectivamente) e tiveram notas entre 4 e 5. O Sudeste aparece com 27,6% de seus cursos com conceitos altos e 18% com as notas mais baixas. (…) “É surpreendente que o Nordeste esteja à frente do Sudeste”, disse Regina Vinhaes, da pós-graduação em educação da UnB. (…) O presidente da associação das universidades federais, Paulo Speller, tem uma análise diferente. “Foi no Nordeste onde houve a maior expansão da rede pública, que tradicionalmente tem desempenhos melhores.” (…)
Isso é bom para a nossa região, que mostra estar desenvolvendo-se rapidamente e adquirindo uma boa qualidade no seu ensino. Também seria bom que o governador paulista eleito, José Serra, pudesse ler os jornais de sua terra diariamente e conferir um pouco da realidade ao invés de levantar opiniões preconceituosas.
Exemplo eleitoral
Ontem foi um dia importante para o rumo que o Brasil tomará por mais quatro anos. O segundo capítulo desta saga eleitoral se dará no dia 29, com o segundo turno para presidente, e aqui em Pernambuco, para governador. O Brasil deu um show de democracia, ao ter uma das mais tranquilas eleições de sua história. Eu, particularmente, não vi confusão alguma, tumulto ou boca-de-urna, apenas uma insistente fila na seção. O país terminou a eleição às 18h (de Brasília), e com pouco mais de cinco horas já era de conhecimento coletivo quem estava eleito ou quem iria para o segundo turno, mostrando ao mundo como fazer uma eleição gigantesca funcionar de modo eficiente, limpo e rápido, sem margem para dúvidas, um cenário bem diferente de outros grandes países como México e EUA.
O segundo turno vem aí, é tempo para se apurar a história do dossiêgate e saber se o presidente Lula tem culpa no cartório. Votei em Cristóvam Buarque, mesmo sabendo que ele não tinha chances de vencer, porque acredito na idéia de revolucionar o Brasil pela educação (países como Coréia do Sul e Japão passaram por processos semelhantes, e hoje são o que são…), e agora pretendo votar no presidente Lula, a não ser que se prove seu envolvimento nessas maracutaias. A turma de Geraldo Alckmim esteve à frente do país por oito anos, e embora tenham tido muitos pontos positivos, também deixaram muito a desejar, além do envolvimento em outros escândalos políticos (como a compra de votos para a reeleição, por exemplo).



