Fazia tempo que tinha vontade de reativar este blog, de expor minhas opiniões sobre estes absurdos que acontecem no dia-a-dia, da possibilidade de meter o pau em alguém e ter pelo menos um leitor (eu mesmo, que o seja). Estava sentindo falta disso aqui, tava mais do que na hora do que voltar.
E porque não observar um caso bizarro ocorrido ontem aqui no Recife? A polêmica do dia foi o registro da visita da equipe do CQC à Câmara Municipal do Recife, para denunciar o aumento de 62% auto-concedido no final do ano passado, sem alarde e às escondidas da população. Com isto, os salários dos 39 ‘honrados’ vereadores saltarão de R$ 9.287,57 para R$ 15.031,76. Uma verdadeira merreca…
Lógico que neste salário não entra os R$ 2.000,00 a título de auxílio-alimentação, ou os outros R$ 2.300,00 a título de verba combustível. Os nobres vereadores, que tanto zelam pela saúde financeira e social de nossa cidade, merecem muito mais…
A sessão do dia, que estava acontecendo ‘normalmente’ (se é que pode-se considerar normal um evento em que metade dos que deveriam estar ali não comparecem), foi simplesmente paralisada quando da chegada do repórter do programa jornalístico/humorístico CQC, da BAND. Muitos vereadores se esconderam no “Buraco Frio” (sala restrita), e outros simplesmente ‘correram pelas ruas da cidade’ na tentativa de não serem flagrados.
Numa dessas corridas surgiu a cena mais hilária do dia: o vereador Inácio Neto, do PSB, mesmo de terno e gravata, correu pelas ensolaradas ruas recifenses em busca de um táxi, sendo perseguido pelo repórter que gritava “Pega, pega…”, levando às gargalhadas os populares que avistaram o cenário.
Jamais se justifica auxílios de combustível de mais de R$ 2.000,00 e alimentação do mesmo valor, enquanto boa parte da população recebe metade deste valor para sobreviver. É triste demais ver que estamos realmente abandonados, entregues à mosca e sem qualquer decência política, e sofrendo da grave falta de mobilização do povo. Estes vereadores do Recife, além de nada fazerem, ainda estão se auto-premiando com inúmeras benesses desnecessárias.
E os movimentos estudantis, que na época do FHC se mobilizam para protestar por tudo, hoje são coniventes e passivos, provavelmente apenas interessados na arrecadação de divisas com vendas de carteiras de estudante. É o fim da picada.

