Porque blogar…
Criei este blog em março de 2001. Desde lá, muita coisa na minha vida aconteceu: mudei de cidade, mudei de país, mudei de vida, mudei de namoradas, mudei de faculdade. Mas este blog esteve sempre comigo. Com ele conquistei inúmeras amizades, e muitas delas verdadeiras, que graças a Deus ultrapassaram a barreira do virtual. Neste espaço registrei momentos tristes e felizes, fui citado por jornais e xingado por visitantes. Neste meu diário virtual, trechos de minha vida ficaram registrados e servem como uma espécie de ‘registro vivo’ de muito do que me aconteceu, ou do que acreditei. Por aqui aprendi muito, e ensinei também.
Este blog sempre esteve comigo, e como tal sofreu com essa minha vida ‘cigana’. Já fomos dos mais variados tipos, com os mais variados endereços, com todo tipo de texto. Entrei nessa onda de blog ainda quando era raro encontrar um escrito em português. Começei essa onda porque gostava de escrever, e alguns diziam que meus textos eram até ‘razoáveis’. Me envolvi, cansei, depois voltei. Por muitas vezes tive vontade de deixar de blogar, enquanto em outros não conseguia deixar de postar qualquer coisa que fosse. Mas sempre busquei encarar isso aqui como um belo passatempo.
Mas sem evitar, tornei este espaço um reflexo do que acontecia em minha vida ao longo desses seis anos. Quando estava bem, escrevia textos positivos, e quando triste, melancólicos posts. Falei sempre sobre política, coisa que gosto. Ultimamente minha vida me direcionou para novos desafios, e este meu mundinho acabou sofrendo com isso. Pra completar, acabou o contrato com o provedor, e infelizmente não foi possível renová-lo (dá pra imaginar o porquê…). Com isso, pensei seriamente em desistir, mas nunca imaginei que sentiria falta de escrever aqui.
Neste espaço sempre me senti livre para me expressar do jeito que quisesse, sobre o que gostasse, quando desejasse. Ao contrário da vida real, aqui eu posso ser como sempre quis, sem dificuldades, sem pudor. Bastava apenas digitar o que quisesse, e depois publicar o post e pronto! Se me arrependesse, deletava-o e estava tudo certo. Simples, prático e útil, como a vida deveria ser. “Blogar é preciso”, disse o poeta cibernético. Aqui eu escrevo, lá me lêem. Aqui eu transpunha a barreira do real e virtual, e bitficavameus sentimentos à espera de alguém que os acessasse. Pelo blog eu vivia uma vida diferente, num mundo diferente. Divagava, e levava a muitos minhas idéias e esperanças, meus insucessos e decepções, minhas vitórias e felicidades.
E vivi, cresci, aprendi, amadureci. Tantas coisas importantes, não podia deixar isso tudo de lado. Blogar já faz parte da minha vida, porque simplesmente abandonar sem motivos aparentes, sem uma razão séria que me fizesse mudar de comportamento? Pensei em desistir, mas resolvi voltar. Postar me faz pensar, se penso logo existo, se existo tenho vida, se tenho vida devo aproveitá-la. E nada melhor do que exercitá-la, e blogar faz parte disso.
Talvez muitos não entendam o que quero dizer, também não faz diferença. Escrevo este blog para que outros leiam, mas especialmente pra mim. E o que penso agora só eu sei. Mas uma coisa é certa: não posso deixar de blogar, não posso deixar de viver, não devo parar de pensar, não devo deixar de tentar. Ainda há muito o que acontecer, tanta coisa pra conhecer, muito do que provar. E preciso de testemunhas para isso, preciso registrar. E não deixar de pensar (ao menos por agora devo deixar, estou ficando com sono…). E que possa registrar minha vida por estes códigos do mundo virtual, pra que no futuro possa olhar pra trás e ver as marcas dos meus pensamentos, vivos e presentes como nunca. E o registro preciso de minhas decisões, meus passos, meus retrocessos. Para poder olhar pra frente, e saber o que fazer.
Deixa pra lá, não se preocupem. O que importa é que tamos por aqui, ói nóis aqui traveis!
Luto pela Decência
Colaboração do Blog do Josias
Volto depois de tanto tempo, revoltado com a situação política de nosso país. Aconteceu o que ninguém queria, mas todo mundo tinha certeza: Renan Calheiros foi inocentado da acusação de corrupção. O Senado Federal mostrou sua faceta sórdida e mesquinha, livrando a cara de um político imoral e dando-lhe o ‘respaldo da população’ para continuar com suas peripécias sob nossos olhos. A tal ‘vitória da democracia’ mostra que o país realmente merece os políticos que tem. Imoralidade, safadeza, roubalheira e bandidagem. Temas tão comuns no meio político nacional nunca foram tão valorizados por nossos representantes como agora.
O povo clamava nas ruas pela cabeça de Renan. Seus comparsas conseguiram fazer uma sessão secreta, onde Renan-Ba-Bá e os 40 senadores festejaram a vitória da corrupção e imoralidade sobre a vontade popular e a decência. Já não bastando os mensaleiros terem sido abençoados pelo perdão da Câmara dos Deputados, agora o líder do Senado recebe igual benefício. E quem sai perdendo é o povo brasileiro, que vê suas instituições definharem, transformando-se num único antro nefasto e vergonhoso. Esses políticos, escória da sociedade, parecem que nunca vão se dar mal. Bem feito para um povo que nunca soube votar.
Enquanto isso, o presidente Lula está viajando pela Europa. Tirando o dele da reta.
Poluição Visual
O prefeito do Recife, João Paulo, resolveu seguir o exemplo de São Paulo e bater de frente contra a propaganda clandestina. Desde ontem a cidade está sofrendo uma varredura, e todos os outdoors e placas luminosas que estão irregulares estão sendo retiradas, buscando limpar um pouco o visual da cidade, uma metrópole que sofre com o tradicional descaso governamental que culminou com um crescimento desordenado. Uma grande prova disso é você tentar andar pelas ruas principais da cidade no horário de pico. Além do trânsito torturante, as ruas estão lotadas de placas e faixas por todos os lados, muitas vezes nos impedindo de apreciar as margens dos rios, parques, etc.
A prefeitura promete pegar pesado, inclusive com altíssimas multas. A verdade é que esse projeto promete causar polêmica, e já estão sendo ouvidos os primeiros protestos. Questionam o desemprego, a falta da geração de rendas, as mesmas ladainhas de sempre. O prefeito entregou o projeto nas mãos de João da Costa, secretário dele e provável candidato na eleição do ano que vem. Será uma prova de fogo para ele, e a chance deste governo atual mostrar que nem sempre vai de encontro à opinião pública. Alguns dizem por aí que João da Costa vai ter muito trabalho, e deveria começar pelo seu chefe. Falam que esses chapéus do prefeito são verdadeiras poluições visuais…

A tal ‘poluição visual’
Heróis da Resistência
Historinha tirada do Blog do Torcedor do Sport, no Globoesporte. Muito bom, vale a pena reproduzir.
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Invadir a Baía dos Porcos, eliminar o exército verde, conquistar 3 pontos e mais um continente à sua escolha. A missão não era nada fácil para o General Geninho. Fácil mesmo, só entender a arte da guerra do nosso Sun Tzu rechonchudo:
- Quero todo mundo entrincheirado, lá atrás. Quem chegar perto, atire para matar (pelo menos a jogada)
Soldado Bilica, pacifista que era, interrompe o comandante:
- Mas, senhor, e a paz mundial? Vamos usar a diplomacia.
- Isso aqui não é concurso de Miss Universo, rapaz! O que você vai me pedir em seguida? Um livro do Pequeno Príncipe? Salvem as Baleias? Seja homem, soldado Biloca!
- É Bilica, senhor.
- Bilica, hein? Pra mim, você se chama Barbie. E se você não fizer o que eu mando, vai ser obrigado a usar essa camisa do Náutico na frente de todo mundo.
- Isso não, senhor. Pelo amor de Deus.
- DEUS? Deus não vai lhe ajudar quando 20.000 palmeirenses quiserem beber o seu sangue.
- Mas eu sou um cara da paz…
- Então você é maconheiro, né? Cadê o seu cachimbo da paz?
- Não foi isso que eu quis diz…
- Já chega! Você está fora do time!
- Não, eu faço tudo que o senhor mandar…
- Muito bem, Biloca. Vai lá e não deixe perna sobre perna.
Motivado pela conversa, o grupo partiu num vôo incerto para São Paulo. Antes mesmo de aterrissar naquela pista sem grooving, os soldados-atletas saltaram de pára-quedas no Parque Antarctica. E a recepção não foi nada boa. Uma massa verde povoava as arquibancadas, cantando em uníssono: ‘Poooorco! Pooorco!’ Nessa hora, todo mundo virou para Magrão. Goleiro que é, foi logo se defendendo:
- Não olhem pra mim, hoje eu não esqueci o desodorante.
- Quer dizer que hoje você não vai ter vergonha de levantar os braços e agarrar a bola no cruzamento?
- Aí é outra história…
Bem, se não era o Magrão, que vive fazendo suas cagadas, alguém deveria estar com a mão amarela no meio da torcida. E pra ser chamado de porco pela torcida toda, devia ter comido um churrasquinho de gato.
O jogo começa. Começa também a Operação Desmatamento. Tudo que era verde, nosso time derrubava. O Valdivia, disfarçado de moita debaixo daquela cabeleira, era o alvo principal. Não demorou muito pra que fizessem uma falta na entrada da área. Não demorou muito pra que o cara acertasse um chute de sorte por baixo da barreira. Não demorou muito para que o Magrão pegasse a bola. Ops, isso demorou muito. Gol deles.
De fato, parecia que o exército leonino ia bater em retirada. Mas como Bilica não achou essa tal de retirada, resolveu bater no jogador mais próximo mesmo. Um carrinho assassino por trás. Depois, se levantou e saiu correndo com a perna da vítima em mãos. Foi dar um abraço no técnico. “Essa é pra você, professor”.
Bem, quando você está com homens a menos, em território inimigo e perdendo a batalha, o mais sensato é abortar a missão. Mas em qualquer dicionário, principalmente no rubro-negro, o R vem antes do S. Portanto, raça vem antes de sensatez. E foi assim que os 9 leões de Esparta ignoraram a razão e se agigantaram para cima do Palmeiras.
Um ataque aéreo surpreendeu as defesas do time da casa. César voou alto e mandou a batata quente pra dentro das redes. Diogo invadiu a área inimiga como um espião e foi derrubado, mas não sem antes deixar uma bomba plantada. Se o ataque passado havia sido aéreo, o que selou a derrota do exército verde foi um fuzilamento. Diego Cavalieri no paredão, Da Silva no gatilho. O primeiro tiro pegou de raspão, o segundo foi fatal.
O Palestra Italia agora é território rubro-negro. Com cicatrizes de guerra, nossos heróis da resistência voltam pra casa, aclamados. Patriotas, honraram a nação rubro-negra, que amanhece feliz e estampando seu orgulho no festival de camisas leoninas. Sábado, tá todo mundo convidado para a Guerra de Reconquista.
Injustiça?
“Eu acho que Deus, quando fez a gente, ele nos fez perfeitos. Temos duas orelhas, uma para escutar vaias e outra para escutar aplausos. Isso não incomoda, sobretudo se os que estão vaiando são os que mais deveriam estar aplaudindo”. Com essas palavras, o presidente Lula afirma que não está se incomodando com as insistentes vaias que o acompanham aonde quer que vá por este Brasil. Provando do próprio veneno, Lula e o PT não esperariam nunca que com um índice de aprovação tão alto, protestos pipocariam pelo país afora reivindicando sua cabeça, e num primeiro momento não souberam sabendo lidar com isso, mas parece que estão se acostumando.
A verdade é que protestos do tipo que foi feito pelo MST ontem em Cuiabá (MT), com faixas dizendo “Fora, Lula”, muitas vaias, apitaço e baderna, refletem a indignação popular diante do caos político em que o país se encontra. Não sou contra Lula, mas acredito que já estava na hora de a população despertar e acabar com essa ‘lua-de-mel’. Há muito escândalos estouram por todos os lados, homens próximos dele são pegos com a boca na botija e conseguem sair ilesos, impunidade vigora e a cafagestagem parece não ter fim. Apesar de alguns programas socias de qualidade (que alguns amigos insistem em condenar), o governo tem falhado em muitos aspectos primordiais, assim como o anterior. Mas agora que deixaram de ser oposição para se tornarem situação, é necessário lidar com atos do tipo e manter a seriedade.
Lula tem, apesar de tudo, feito poucas ações que terão impactos positivos num futuro não muito distante, e se faz necessário que em momentos como este sua equipe reveja os pontos negativos que culminaram com esta insatisfação coletiva, para tentar acertar no pouco tempo que lhes restam de governo. Não adianta simplesmente alegarem que os protestos saem do idealismo das classes dominantes, “incomodadas com o fato de Lula ter um diploma primário e um curso de torneiro mecânico”.
A verdade é que o Lula, mais do que nunca com suas ações e reações, prova ser um produto da história brasileira. Ao longo do tempo este foi um papel que o PT soube desempenhar muito bem (o de protestar contra o governo), acostumando a sociedade a sempre condenar o governo caso algo desse errado e questionar a capacidade presidencial, sem se aterem aos reais fatos que levaram aos problemas ocorridos. O PT, velho arruaceiro, não adere mais ao antigo pensamento. Aqueles que literalmente ‘metiam o pau’ nos tucanos por tudo o que acontecia agora criticam quem tem posição contrária a eles. E não aceitam que a sociedade se mobilize, sob a velha alegação de que ‘determinados segmentos da sociedade tentam manipular a opinião pública’. Vemos aqui a velha máxima do feitiço virar contra o feiticeiro. O cansativo discurso de “Fora, FHC” proferidos pela CUT, à mando dos petistas, e as inúmeras insinuações de que o governo tucano era corrupto e deveria ser deposto em favor da democracia brasileira agora parecem se voltar contra eles mesmos, que passaram a ser o ‘telhado de vidro’ da política nacional.
O que me deixa preocupado nessa história toda é o fato de o presidente, antes um ferrenho combatente dos governos anteriores, que ia às ruas protestar e liderar milhares de trabalhadores, considerar que tais protestos são uma afronta à democracia. Não, senhor presidente, como o senhor anteriomente pregava, estamos exercendo a democracia que nos foi garantida pela Constituição. Os protestos têm uma razão de existir, não são apenas ‘meia dúzia de brasileiros’ que pensam da mesma forma. Não despreze o que acontece nas ruas, lembre-se que sua trajetória começou lá fora. Não renegue suas raízes, absorva os frutos que ajudou a plantar. Aqui se faz, aqui se paga.
Exemplo para o Brasil
Embora os meios de comunicação do Sudeste/Sul não valorizem muito os fatos que ocorrem do lado de cá do Brasil e não se preocupem em divulgar, o fato é que algo que aconteceu na Paraíba ontem a noite deveria ser informado e aplaudido por todos os cantos deste país. Foi dado um exemplo hoje ao Brasil de como fazer valer a lei e honrar o Poder Público. O que aconteceu ontem foi algo histórico, que deve ser valorizado e que sirva como uma esperança de dias melhores.
Ontem, em uma sessão tensa que durou mais de 7 horas, o TRE da Paraíba cassou o mandato do então governador do estado, Cássio Cunha Lima (PSDB), que havia sido reeleito em 2006. Foi descoberto que durante a campanha de reeleição, a equipe de Cássio utilizou de dinheiro público para comprar votos, distribuindo entre seus eleitores e cabos eleitorais cerca de 35 mil cheques com valores relevantes. Pegos no flagrante dois dias antes das eleições, correligionários do governador informavam que os cheques pertenciam à Secretaria de Desenvolvimento Humano da Paraíba (mas não explicava como todos os cheques foram dirigidos a partidários do candidato).
Cássio Cunha Lima, de família tradicional de políticos da Paraíba e filho de um influente deputado e ex-governador do estado, Ronaldo Cunha Lima, foi condenado à perda do cargo e dos direitos políticos até 2009, além de multado em R$100 mil. Mesmo tendo o direito de recorrer da sentença, a partir da publicação da decisão do TRE fica obrigado a retirar-se do cargo e repassá-lo ao candidato derrotado, José Maranhão (PMDB).
Este fato realmente merece destaque. Com este ato, o TRE da Paraíba demonstra seriedade e decência, além de abrir um positivo precedente para que políticos que se encontrem na mesma situação possam ser punidos. E mostra que o Brasil pode ter jeito, se houver vontade para tal. É a Paraíba fazendo escola, tomara que o resto do Brasil aprenda.
Campanha em favor do Brasil
Patrocinada pela OAB-SP, tem início hoje a nível nacional uma campanha de conscientização da população com relação aos problemas que tem ocorrido no cenário político brasileiro nos últimos anos. Este ‘Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros’ pede que as pessoas em todo o país parem por um minuto no dia 17 de agosto às 13h como forma de demonstrar a indignação da população com os rumos que a política nacional tem tomado.
Esse movimento, que teve origem diante da revolta de alguns brasileiros pelo caos aéreo, pode ganhar um sentido ainda maior se abraçado pela coletividade. Em São Paulo o protesto está marcado para acontecer em frente ao prédio da TAM Express em Congonhas, onde se deu o maior acidente aéreo da história do país. Mas a OAB-SP espera que movimentos semelhantes ocorram simultaneamente em outras cidades do país.
O presidente da OAB-SP, Luiz Flávio Borges D´Urso, definiu esta campanha como “uma mobilização espontânea da sociedade, entidades e lideranças, que passaram a dialogar sobre o momento vivido pelo Brasil”. Ainda segundo ele, a partir desses diálogos “uma articulação se estabeleceu, dando lugar a este movimento, que tem como premissas ser apartidário e apolítico. É um movimento cívico, não é contra ninguém, mas a favor do povo brasileiro, da cidadania e do Brasil. É um movimento que quer acordar o Brasil, para que cada brasileiro se posicione e manifeste sua indignação, não de forma isolada, mas coletivamente”.
Ainda segundo o presidente da OAB, o movimento promete chamar a atenção por destacar fatos que provocam indignação da sociedade brasileira em maior intensidade, como gente que só quer levar vantagem, governo paralelo dos traficantes, pagar tantos impostos para nada, descaso com a violência, impunidade, burocracia, caos aéreo, CPIs que não dão em nada, crianças nas ruas e não nas escolas, presidiários falando em celular, empresários corruptores, medo de passar no sinal, bala perdida e corrupção. Cada questão será apresentada por pessoas de diferentes faixa etária, gênero e classe social . Todas as peças terminarão com os slogan “ cansei de não fazer nada”.
Sem dúvida um belo movimento de caráter cívico que pode servir para demonstrar toda a insatisfação da população perante os inúmeros problemas de ordem social que acumulam-se dia-a-dia no país. Uma campanha que, por seu caráter simbólico, merece ser abraçada pela sociedade em geral, como uma forma de demonstrar ao governo que estamos cansados de tanta ineficiência. Atitudes como esta fazem parte do exercício da cidadania em um país democrático, e embora esta campanha não tenha ‘força’ segundo alguns, poderia servir como um termômetro a definir em que grau se encontra a insatisfação coletiva. Sem dúvida, uma ação que pode colaborar para o crescimento político de nosso país. Resta saber se a coletividade brasileira, já tão inerte diante do caos político em que nos encontramos, irá se agregar a esta idéia.
Rio miserável
A delegação americana não teve das melhores recepções neste Pan-Americano, haja visto a política internacional de seus governantes (se bem que uma coisa não deveria levar a outra). Mas é necessário saber dosar tais atitudes para evitar conflitos. Os americanos são experts em ofender e rebaixar os países considerados por eles inferiores. O Iraque e o Afeganistão sofrem por causa disso. E muitos outros, indiretamente. As fotos que foram tiradas pelos soldados americanos de presos iraquianos sendo torturados escandalizaram o mundo e acenderam ainda mais a chama da intolerância contra o povo americano (muitos americanos, por sinal, não tem o mesmo pensamento destes que menosprezam outros povos, mas pagam o pato). E parece que não aprenderam com estas lições.
Era pra ser algo simples, se não fosse extremamente ofensivo. Rolou pela internet hoje a notícia de que uma atleta americana da delegação, mais especificamente Angie Akers, jogadora de vôlei de praia, fez comentários extremamente preconceituosos em seu blog, que após a denúncia teve seu acesso restringido apenas a convidados. Entre os vários comentários desrespeitosos proferidos pela atleta, que é socióloga de formação (???), estão a impressão de que a cidade do Rio de Janeiro, “a cidade inteira, de tantos milhões de habitantes, só tem favelas. Os rios correm negros. Porcos e outros animais bebem a água suja.”
Mas ela garante que, mesmo com os problemas de segurança fora da Vila Pan-Americana, eles não têm do que se preocupar, porque “mais de 15 mil agentes do FBI estão protegendo-os do caos de fora”. Até a comida oferecida às delegações foram alvos de críticas. Segundo ela, “é uma dificuldade para encontrar comida boa. Brooke [Hanson, a parceira] e eu quase ficamos em pânico no primeiro jantar e café da manhã, quando procuramos por algo que conseguíssemos comer”.
Engraçado como esta socióloga californiana de Redondo Beach tem uma visão ‘distorcida’ da realidade brasileira. Uma pena que alguns americanos ainda não aprenderam a respeitar as diversidades e se comportar nos mais diversos (e adversos) lugares. São atitudes como esta, vinda de americanos xenófobos, que acabam por espalhar pelo mundo um sentimento anti-americano que tem criado problemas para eles. E ainda ficam se perguntando porque o mundo inteiro os odeia…
A ‘Saúde’ da ‘Educação’ Pública
A situação da saúde pública no Brasil está ficando cada vez mais complicada (assim como todas as outras coisas que envolvam o Poder Público…). Aqui em Pernambuco tem se arrastado uma série de protestos do Sindicato dos Médicos do estado, que chegou ao cúmulo de, neste fim-de-semana anunciar uma renúncia coletiva dos seus agregados dos postos de trabalho nos hospitais e postos de saúde administrados pelo Governo do Estado. O resultado é que, nesta segunda-feira, muitos faltaram e o bicho pegou. E, mais uma vez, o pobre povo pagou o pato.
Enquanto os médicos (que estão dentro de seu direito, é lógico) reivindicam um aumento significativo na folha salarial e a implantação de melhores condições de trabalho, o Governo busca convencê-los de que não pode conceder aumentos no momento. Os médicos sofrem há vários anos sem reajuste, e trabalham com as piores condições fornecidas pelo Governo.
Cenário parecido é o dos funcionários da educação do Estado, que pararam há meses e até agora não há perspectiva de um retorno. Inclusive a greve foi declarada ilegal após uma medida do Governo corroborada pelo Poder Judiciário, mas os funcionários insistem em mantér a decisão de continuar com a paralisação, prejudicando mais de um milhão de alunos. Vejam só: professores pedem a equiparação de seus salários com o salário-mínimo em vigor (ganham menos ainda, que com os descontos não sobra quase nada).
Sinceramente, pra mim o Estado brasileiro está falido (quando digo Estado, com letra maiúscula, me refiro a todas as esferas), e não acredito em chance de recuperação num curto prazo de tempo. Não temos infra-estrutura básica necessária pro desenvolvimento do país (vide crise aérea e mal-sucedidas operações tapa-buracos), a violência está em níveis alarmantes, apesar da valorização da moeda a remuneração do brasileiro ainda é baixa, e falta o atendimento básico que deveria ser provido pelo Poder Público. Salvo raríssimas excessões, não há escolas públicas com estrutura adequada, os hospitais estão sucateados e a beira de um colapso. E eu não acredito que, por mais ‘boa vontade’ que haja, a situação venha a mudar rapidamente.
Fico me perguntando como um país que tem uma das maiores arrecadações com impostos no mundo sofre de uma falta crônica de investimento em seu básico. Tem um amigo meu que prega que o problema do Brasil está entranhado em sua formação, onde tudo se deu na base do empurra. E que enquanto não houver um choque cultural e político muito grande, a tendência é ficarmos marcados na história mundial como um país que sucumbiu diante da incompetência (engraçado que ele fala que não dá 100 anos pro Brasil deixar de existir, com os estados se dividindo e formando pequenas nações caóticas).



